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  POLÍTICA   O poder do dever
Terça-feira, Dezembro 2, 2008

Como bons portugueses que os taipenses são, à semelhança dos restantes, também estamos à espera que venha alguém, não se sabe de onde mas de Alcácer Quibir não, para resolver os seus próprios problemas. No país do desordenamento dos Presidentes de Câmara, as populações das freguesias acreditam que o presidente de câmara do município a que pertencem, aparecerá – talvez no dia da festa anual para integrar a procissão – e com um bolso cheio de notas comece a distribuir por aquela freguesia que há muito não é contemplada pela benemerência do Sr. Presidente. E quando esse presidente resolve, por seu livre arbítrio, atribuir um donativo àquela freguesia trate-se de lhe arranjar uma estátua para preservar a sua boa memória.

É isto, este bom povo ainda entende o exercício do poder público como um arbítrio de um poder absoluto. Quando este povo que já não lava no rio – como o retratado na canção que a Amália tão bem interpreta – entender definitivamente que as Câmaras estão obrigadas a gastar o dinheiro que recebem dos seus munícipes nos locais onde residem esses munícipes contribuintes, então estaremos a entrar numa dimensão de apreensão da realidade política a que chamaremos de adulta e responsável. Até chegarmos lá, estaremos a defender a ideia bacoca, ofensiva, descabida, subdesenvolvida de que a Câmara não investe numa determinada freguesia por que não se dá com o presidente da junta local. Esse presidente não está a prejudicar o presidente da junta; está, como é bom de ver, a prejudicar o povo. E embalados nesta ideia de um primarismo desinteligente, há até quem se proponha, de uma forma voluntarista, fazer as vezes, usurpar competências e responsabilidades, para que, com o seu prestigio pessoal que deve ser muito, interceder junto do Senhor Todo Poderoso Sr. Presidente da Câmara Municipal, para que uma obra que nem é prioritária para a freguesia, se faça.

Este modo subserviente de fazer politica, a raiar os limites da indignidade, deveria, sem demora, estar completamente irradicado da nossa vivência politica. Não está. Floresce. A cultura politica deste povo é de não exigir da administração, governo, câmaras e juntas de freguesias, objectividade, responsabilidade, isenção. É tempo de exigir; é tempo de fazer valer o direito a não ser discriminado sem razão; é tempo de dizer não contra o arbítrio. É tempo de censurar quem exercendo o poder que lhe foi conferido pelo povo o faz contra o povo a pretexto de guerras partidárias menores.

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