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  POLÍTICA   Os dois sentidos da “cunha”
Quinta-feira, Outubro 30, 2008

A notícia é do fim-de-semana de 27/28 de Setembro e vem no jornal “Expresso”: 3200 casas atribuídas por cunha em Lisboa.
A notícia, cá para o concelho, não tem nada de novo: também neste município foram atribuídas casas por cunha; esses factos deram origem a um processo criminal donde resultou a condenação da vereadora do PS.

Há quem diga que a “cunha” é uma instituição genuinamente portuguesa. Chamar-lhe instituição já significa que está instituído, quer dizer, criado, organizado e em funcionamento pleno. Há quem diga que não vale a pena lutar contra isso; que é uma guerra perdida; que sempre foi assim e assim será. É o velho conformismo português nada consentâneo com atitude crítica que devemos ter em todas as circunstâncias.

A “cunha” não deixa de ser a influência de alguém que acha que outro tem influência e implora junto deste para que ainda outro dê seu jeitinho decisivo para que o favor beneficie quem dele não deveria nem poderia beneficiar. A “cunha” existe para beneficiar alguém e ao mesmo tempo prejudicar alguém. O beneficiado é-o injustamente e o prejudicado idem aspas aspas. O prejuízo maior, e que deve preocupar, é o sistemático dano provocado ao interesse público.

Todas as vezes que é admitido um candidato que não era o melhor; todas as vezes em que é atribuída uma concessão a quem não a merece; todas as vezes em que é admitido um funcionário não necessário: o interesse público está a ser defraudado.

A “cunha” de que vos falo revela um sentido que vai do particular para a administração. Agora… estranho, estranho, é a cunha que vem da administração para o particular.

O PS do concelho de Guimarães é o especialista doutorado e jubilado nesta matéria. Em anteriores escrutínios eleitorais já o provou. Foi em Brito, em Selho, e quase que o seria nas Taipas.
Para estas eleições o PS já está no terreno. A estratégia é aliciar candidatos que reputam importantes para ganhar as eleições na freguesia e prometem-lhes benesses que saem directamente dos cofres municipais, melhor, dos bolsos dos munícipes.
Que o diga a CDU em Moreira de Cónegos.
A cunha, aqui, vem da Câmara na direcção do particular.

O pior disto tudo é que as promessas não se reduzem a obras municipais que já deveriam estar construídas e não estão; as promessas estendem-se a autênticas benesses pessoais, como: empregos na Câmara ou nas empresas municipais, ou a resolução de problemas pessoais que atormentam os candidatos.

Há muito tempo que os candidatos da CDU e do PSD sofrem o assédio do PS concelhio; querem que eles mudem; não a troco de promessas de bem servir a coisa pública; não a troco de uma politica de igualdade de benefícios dos munícipes; não a troco de uma politica de não discriminação; não a troco de um desenvolvimento harmonioso do concelho. O PS concelhio promete benesses pessoais que o erário público há-de suportar.

Assim é fácil e barato. Quem fica a perder somos todos nós.

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