PUB
  POLÍTICA   Inqualificável e incorrigível
Quinta-feira, Setembro 18, 2008

No último número deste jornal saiu mais uma entrevista ao presidente da Junta de Freguesia de Caldelas, desta feita em torno da questão do inquérito levantado pelo órgão executivo a que preside. Da leitura da mesma, concluí que as coisas não mudam… e toda a entrevista espelha o pensamento político do homem que está à frente dos destinos da vila – verdadeiramente inqualificável e incorrigível.

Então não é que o presidente da Junta confirma que foi instaurado um inquérito e não é capaz de, numa página inteira do jornal, e não obstante as insistências do jornalista, esclarecer minimamente o que se passa! O comum leitor deve ter chegado ao fim da entrevista e, tal como eu, ter ficado ainda mais confuso do que antes da sua leitura. Inquérito porquê? Inquérito a quê? Inquérito a quem? Inquérito para quê?
De facto, toda a entrevista tem “muita parra e pouca uva” e mais valia o entrevistado ter recusado dá-la.

Do pouco que se compreende, constata-se que a Junta de Freguesia instaurou um inquérito interno que terá a ver com situações menos claras no manuseamento de dinheiros, preenchimento de mapas e emissão de recibos, que existiram no actual e no anterior mandatos. Ora, assim sendo, o entrevistado, actual presidente e anterior tesoureiro da Junta de Freguesia será o principal visado e arguido, certo?

Então se o inquérito se relaciona com eventuais irregularidades do executivo, não seria lógico e muito mais transparente que o mesmo fosse conduzido por uma entidade externa e independente? Pelos vistos não… a Junta não vê qualquer problema em fazer o papel de Juiz de si própria… nada que me surpreenda!

E os resultados do inquérito, serão alguma vez conhecidos? Ou será que a montanha parirá um rato e as suspeições ficarão mais uma vez no ar sem que se apurem e assumam responsabilidades?

Para o trabalho do jornalista ter sido perfeito, só faltou mesmo questionar o presidente do executivo do motivo do não levantamento de um inquérito relacionado com o destino, gestão e passagem de recibos das receitas das festas de S. Pedro do ano 2006 (nomeadamente do dinheiro da venda da cerveja), situação de extrema gravidade e da qual se conhecem factos mais que suficientes e até hoje nunca contraditados.

Finalmente, chamou-me especialmente a atenção, na entrevista, uma passagem em que o presidente da Junta se mostra indignado pelo facto de alguns elementos eleitos pelo PS denotarem “conhecimento de algumas coisas” sobre a gestão autárquica que, na sua douta opinião, não deveriam ser do conhecimento público.

Ai não?! Então Sr. Presidente?! Não é dever do executivo informar a oposição de forma transparente de como está a ser gerida a coisa pública? E não é dever da oposição procurar informar-se e fiscalizar a actividade da Junta? Ou terá esta alguma coisa a esconder?!

26