PUB
SAÚDEAs crianças, o sol e o calor…
Domingo, Agosto 3, 2008

Portugal devido à sua localização geográfica é um dos países da Europa mais contemplados pelo sol, o que em conjunto com a sua extensa faixa costeira convida a actividades ao ar livre. Com a chegada do Verão e das férias estas actividades intensificam-se, e se é inegável que o sol tem benefícios, é também fundamental estar sensibilizado para os perigos decorrentes dos períodos de calor intenso que por vezes se fazem sentir nesta estação. Assim em situações extremas de exposição ao sol ou calor poderão surgir queimaduras solares, desidratação, cãibras ou mesmo golpes de calor e como consequências a longo prazo podemos referir o envelhecimento precoce da pele e, certamente o mais temido de todos, o cancro da pele.

Os golpes de calor ocorrem quando o nosso organismo não consegue controlar a sua própria temperatura. Os mecanismos fisiológicos da transpiração falham e a temperatura corporal pode atingir 39º Celsius em apenas 10-15 minutos podendo causar a morte ou uma deficiência crónica se não existir uma intervenção rápida e eficaz. No caso específico do cancro da pele (melanoma) sabe-se que anualmente surgem cerca de 700 novos casos de melanoma o que é devido em 90% dos casos à exposição excessiva ao sol.

As crianças e idosos são dois grupos cujo risco de desidratação é muito elevado e como tal merecem especial atenção. No caso das crianças a desidratação rápida pode ocorrer porque a sua termorregulação é menos eficaz e a quantidade relativa de água que possuem no seu peso corporal é mais importante que nos adultos. Já os idosos podem ser acometidos por este problema dado que muitos deles podem não sentir sede.

Depois de descritos alguns dos riscos específicos associados à exposição do sol importa conhecer as várias medidas que podemos adoptar para melhor os prevenir, entre elas destacamos:
– Aumentar a ingestão de água ou de sumos de fruta natural, sem açúcar, mesmo sem ter sede;
– Evitar bebidas alcoólicas, gaseificadas, com cafeína ou com açúcar, porque podem provocar desidratação;
– Fazer refeições frescas e leves;
– Usar roupa de algodão, leve e de cor clara;
– Programar as actividades no exterior para horas mais frescas;
– Preferir locais à sombra, bem ventilados ou com ar condicionado;
– Evitar a exposição directa ao Sol, em especial, entre as 11 e as 16 horas;
– Na praia, mesmo debaixo do chapéu-de-sol não está protegido. A água do mar também reflecte os raios solares podendo provocar queimaduras solares;
– Usar chapéu e óculos escuros (especialmente para pessoas de pele clara);
– Proteger a cabeça das crianças com chapéu de abas;
– Usar sempre protector solar mas lembre-se que não há nada melhor que a roupa e um chapéu de abas para nos proteger do sol;
– Nos dias de grande calor, os bebés e os idosos não deverão ir à praia (os bebés até aos 6 meses não deverão nunca ser expostos ao sol);
– Tomar um banho tépido no período de maior calor;

As medidas acima descritas devem ser adoptadas por toda a população, no entanto atendendo à vulnerabilidade e dependência das crianças e idosos, os familiares ou prestadores de cuidados deverão ter um olhar mais atento sobre elas.

* Enfermeiras na USF Ara de Trajano

26