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  POLÍTICA   Tampos de agitar, convencer e mobilizar
Domingo, Agosto 3, 2008

Segue morna a vida da Vila. Aqui e ali sobressaltada, como recentemente, por um ou outro caso mais polémico, que apesar de o ser não basta para romper o monotonia.

Foi-se o S. Pedro e as Festas da Vila e o movimento mais significativo que se regista está perto do rio. É a procura das águas, das sombras e da tranquilidade que a Natureza proporciona e mais pode proporcionar se os Homens não a contrariarem e souberem aproveitar.

Como muitas vezes acontece entre nós, em vez de valorizarmos o que temos e nos identifica, preferimos criticar os vizinhos por conseguirem o investimento que nos foge, por terem iniciativas que nos escapam, por agarrarem as oportunidades que nós desprezamos. Somos mais de lamentar do que de agir.

Já fomos um centro cultural para o qual convergiam as atenções e as populações. Temos um passado que nos honra e de que nos podemos orgulhar. Mas agora limitamo-nos a viver de recordações e de queixinhas.

Achamos que o rio é nosso e só nosso e recusamos vê-lo e entendê-lo como hiato entre duas margens. Olhamos para o outro lado do rio e roemos as unhas de impotência pelo salto qualitativo que ali está a acontecer. E a inveja envenena alguns espíritos incapazes de reconhecer no vizinho um igual em direitos e obrigações. E entretemo-nos a disputar campeonatos imaginários, num ganha e perde que nos sangra.

Com esforço humano, muito suor e muita dedicação, recuperamos um festival de música que mobilizava os jovens e atraía às Taipas gentes de muitas partidas de Portugal. Era um investimento com futuro. E que animava o verão, seduzindo e fixando a juventude. Por uns cobres deixamo-lo escapar e agora carpimos lágrimas por ter assentado arraiais numa freguesia ao lado onde encontrou compreensão e apoio.

Faltam às Taipas visionários e filantropos do tamanho de Rosas Guimarães e outros que souberam intervir, impulsionar e mobilizar vontades em torno de projectos dinâmicos. Temos a ACIT a dar os primeiros passos, mas a dar indícios de poder ser a mola do nosso desenvolvimento, se não se deixar entorpecer por iniciativas menores e pelo mediatismo.

Temos a Taipas-Turitermas, de enorme potencial mas sem pingo de ousadia, de arrojo, disciplinada, apática e demasiado voltada para si.

Teríamos ainda a Junta de Freguesia, se fosse algo mais do que uma comissão de festas montada para as eleições.

Em vez de aproveitarmos o que temos de bom, preferimos fazer o papel de patinho feio, vítima da incompreensão alheia. Talvez renda votos, mas atrasa o futuro.

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