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  POLÍTICA   Irresponsabilidade e incompetência
Segunda-feira, Maio 26, 2008

Realizou-se no passado dia 30 de Abril de 2008, mais uma sessão ordinária da assembleia de freguesia de Caldelas.

Tratou-se de uma reunião com mais participação por parte dos eleitores do que aquilo a que nos habituamos, não tanto pelo número de presentes, mas antes pela intervenção activa dos mesmos. Contudo, o motivo para esta participação mais activa de eleitores não é um sinal positivo, como veremos.

Efectivamente, os dois temas fortes da assembleia foram o alargamento do cemitério e a construção dos passeios na Rua de Santa Marta.

Tanto num, como noutro tema, e salvo a imodéstia, os membros da assembleia de freguesia eleitos pelo PS demonstraram estar bem dentro das matérias e denunciaram e criticaram uma série de trapalhadas e erros cometidos por este executivo.

Críticas e denúncias estas que, na parte final da sessão, aquando da intervenção do público, se mantiveram e foram, até, acentuadas, com alguns cidadãos a desmentirem o presidente da Junta e a acusarem-no de favorecer eleitores em detrimento de outros e de utilizar dinheiros públicos em proveito de alguns particulares.

Quanto à questão do alargamento do cemitério, que desde sempre foi uma preocupação do PS nas Taipas, começamos por nos congratular por a Junta finalmente ter percebido que teria de fazer esta obra. No entanto, não pudemos deixar de denunciar o facto de a obra ter sido atribuída a uma empresa sem qualquer concurso e sem a apreciação prévia da assembleia de freguesia. Acresce que, em todo este processo o executivo está a demonstrar uma forma de actuar irresponsável e precipitada e, como diz o povo, “pôs o carro à frente dos bois”, isto porque começou a obra de alargamento sem que o terreno tenha passado para propriedade da Junta e sem o aval da Câmara Municipal de Guimarães. Além disso, foi arrogante e prepotente ao querer impor a sua solução aos proprietários do terreno contíguo ao cemitério.

Mais uma vez, este presidente projecta, começa e não sabe como vai terminar. Tudo isto é uma irresponsabilidade. Todos sabemos que a construção de cemitérios está sujeita a normas cada vez mais apertadas. Imaginemos por hipótese que um vizinho (o mesmo que ostensivamente o Presidente atacou de não ser pessoa séria, e de faltar com a palavra) decide embargar a obra? E o tribunal se decide pela impossibilidade de se alargar o cemitério? Quem vai ser responsável? E os 50.000,00 € já gastos?

Mas toda esta trapalhada tem explicação. São claramente motivos eleitoralistas, pois o “Dia de Todos os Santos” aproxima-se e é o último antes das eleições autárquicas…

Já relativamente à construção dos passeios na Rua de Santa Marta, começamos igualmente por reconhecer a necessidade de os construir, não só por uma questão urbanística, mas sobretudo por serem necessários para garantir a segurança dos transeuntes. No entanto, depois da obra feita, verifica-se que a segurança não está acautelada, uma vez que os carros passaram a estacionar em cima dos passeios (à falta de outro local para o fazer) que foram construídos e os peões passaram a andar na estrada, ao invés da berma que usavam. Mais, a estrada foi de tal forma estreitada que, hoje, dois camiões dificilmente se conseguirão cruzar naquela via.

Por outro lado, discordamos da execução desta obra por uma questão de hierarquia e prioridades, pois entendemos que existem artérias da nossa vila a necessitar mais urgentemente de construção ou reconstrução de passeios. A título de exemplo, refiro a Rua Professor Manuel José Pereira (que está num estado degradante) e a Rua Comandante Carvalho Crato, duas ruas muito frequentadas por peões, sobretudo por jovens que vão para as duas escolas e idosos que se deslocam ao Centro de Saúde.

Assim, o presidente da Junta não só não resolveu o problema da Rua de Santa Marta, como agravou os problemas de insegurança dos seus moradores, sobretudo daqueles que não têm garagens. Por isso são mais que legítimas as questões levantadas, na assembleia de freguesia, por alguns dos moradores dessa rua: Porque razão a Junta fez obras em casas de particulares com dinheiros públicos? [“só custou 130,00 €” respondeu o nosso presidente (!!)]. É ou não verdade que o Presidente da Junta não dialogou e não ouviu os moradores? É ou não verdade que o Presidente da Junta alterou o projecto garantindo estacionamento para uns moradores e para outros não? É ou não verdade que o Presidente da Junta garantiu aos moradores que ninguém iria ser multado por estacionar em cima do passeio?

Todas estas trapalhadas e ilegalidades demonstram mais uma vez o tipo de executivo que está no poder em Caldelas. E adjectivos como irresponsável, incompetente, incoerente, prepotente e habilidosa são insuficientes para caracterizar a gestão do executivo da nossa freguesia. E o populismo e os abraços e beijinhos aos eleitores, por muitos que sejam, não conseguirão disfarçar e esconder os defeitos dos que estão no poder, estou certo!

P.S. – No último artigo de opinião, escrito por mim, e publicado neste jornal, questionava porque razão a nossa Junta de Freguesia não aderiu ao protocolo celebrado entre a presidência do Conselho de Ministros e a ANAFRE para prestar apoio aos nossos eleitores na informação e preenchimento das declarações de IRS por via electrónica. Por ignorância minha, mas não por qualquer intenção malévola, errei, já que desconhecia que efectivamente esta Junta de Freguesia aderiu a este protocolo. Por este facto me penitencio e deixo aqui o meu pedido de desculpas aos visados, neste caso ao órgão executivo Junta de Freguesia.

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