POLÍTICA   Falta de respeito
Segunda-feira, Maio 26, 2008

Desculpem os que eventualmente me lêem mas tenho de voltar ao senhor primeiro-ministro.

À data em que escrevo este artigozinho, sei, via SIC Notícias, que a Comissão Europeia decidiu rever em baixa – de 2% para 1,7% – o crescimento estimado da economia portuguesa em 2008.

Creio que tal notícia não colheu ninguém de surpresa, tantos eram e são os sinais que se acumularam, tanto de origem externa como de origem interna, e que sustentam conclusões pouco optimistas ou mesmo nada optimistas em relação ao desempenho da nossa economia. Foram esses sinais que tiraram do sério o Fundo Monetário Internacional e outras entidades zeladoras da economia mundial, como o Banco Mundial e que tomaram posições que só Sócrates e o PS recusam por cegueira.

Confrontado com a conclusão da Comissão Europeia, o primeiro-ministro José Sócrates, com o sorriso pepsodente que os seus assessores de imagem lhe aconselham para usar nas circunstâncias mais difíceis e mais embaraçosas, respondeu dizendo haver um dado positivo no reajustamento do crescimento económico. É que, disse ele mostrando os dentes, isso confirma que a economia portuguesa já está a acertar o passo com a economia europeia, isto é Portugal aproxima-se da média da economia da União.

Eu, que ouvi isto tudo com estas que a terra há-de comer, arregalei os olhos de estupefacção e decidi exarar o meu veemente protesto, sob a forma deste artigo de opinião, para que o meu silêncio não deixe passar a afronta sem reparo.

Porque o senhor primeiro-ministro, homem de muitos e variados saberes aprendidos de cotovelos bem assentes nas carteiras das melhores e mais bem conceituadas faculdades do País e sobretudo na escola da vida, tentou fazer dos portugueses lorpas.

O que ele quis que nós tomássemos por brilharete do seu governo não passa de manobra de circo, de palhaçada. Argumentar que a economia portuguesa está a convergir com a média da União Europeia é pretender ver mérito onde ele não existe, é gabar-se de um feito para o qual não se contribuiu. Esta manobra faz-me lembrar um conhecidíssimo ciclista português no Tour de France que subia lugares à medida que os de cima iam desistindo…