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  POLÍTICA   Que Abril não esmoreça
Segunda-feira, Maio 26, 2008

Passaram-se 34 anos sobre o 25 de Abril de 1974. Para muitos daqueles que nasceram posteriormente ao ano da revolução, tal data, nada significa. Há muitos outros que lutam para que a data não seja esquecida.

Vou vaticinar: por este andar, o dia 25 de Abril vai deixar de ter a dignidade de feriado nacional. Os sinais que atestam o crescente desinteresse pelo 25 de Abril são cada vez mais fortes. Muitos dos que O viveram e O tentam reviver em todos os dias da sua existência ou estão mortos ou estão a morrer. Os outros, os mais novos, aqueles, para quem a liberdade não foi uma conquista, não sentem verdadeiramente a ausência da liberdade politica, da liberdade cultural e económica. A liberdade, para eles, não é um problema, nem nunca será uma questão a debater. Só amamos verdadeiramente aquilo que não temos.

Esta questão sociológica que se traduz num crescente desinteresse dos jovens pela política e pela história recente da democracia portuguesa – note-se que a maior percentagem de abstencionistas se situa na faixa mais jovem do eleitorado – fez com o Presidente da República desse o alarme.

Se o Presidente da República, Cavaco Silva, se mostra preocupado com aquela realidade, já o Primeiro-ministro José Sócrates, afirma que a democracia portuguesa vai de boa saúde. Surgem, ainda, sinais preocupantes da Assembleia Municipal que discute se a sessão solene evocativa do 25 de Abril não deve pura e simplesmente extinguir-se. A proposta tem origem no Presidente da Assembleia Municipal, o Eng. Carlos Remísio.

Da pequena amostra de factos acima enunciados demonstra-se o seguinte: quem se encontra no poder acha desnecessário discutir a realização da democracia. Esta conclusão já é de, per si, preocupante e deveria, ela própria, motivar a discussão permanente da qualidade da democracia portuguesa.

Os estados não nascem democráticos. A democracia é uma realidade que se constitui, na mudança e no futuro. Não é um assunto esgotado; carece de renovação que é um requisito da sua própria existência. Não discuti-la, não evocá-la, não questioná-la, é o primeiro passo para a sua sonegação.

Muito se tem falado do chamado “défice democrático” da “claustrofobia democrática”. Isto é, da democracia que não o é, cujo expoente máximo, ressalvando com a devida vénia o município de Guimarães, se revela na Madeira de Alberto João Jardim.

Por este andar, um mal que já atinge o PS, o 25 de Abril e a data sua irmã, 1 de Maio, dia do trabalhador, haverão de extinguir-se do rol dos feriados nacionais. Afinal, parece que o 25 de Abril “nasceu do Amor que existe entre Deus e o Diabo.”

Honra seja feita, e menção de não menos importância registada, a todos aqueles que, através da organização de eventos, fazem levantar o espírito de Abril. Está nesse rol, o Conselho Executivo da E.B. 1 2 de Caldas das Taipas, que não deixou passar a data e organizou um sarau de poesia dedicada ao espírito de Abril, aliando, com extrema qualidade, as comemorações do 25 de Abril à cultura, com a participação directa dos alunos.

Bem-haja quem o faz e quem o faz bem.

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