POLÍTICA   Comportamentos Políticos
Quarta-feira, Abril 23, 2008

A oposição com assento na Assembleia de Freguesia (PS e PCP) vem, desde há muito tempo, criticando e chamando a atenção das atitudes e comportamentos adoptados pelo presidente da Junta de Freguesia de Caldelas no seu relacionamento com a Câmara Municipal de Guimarães. Todavia, de nada têm valido tais esforços.

Na verdade, os ataques gratuitos, o arremessar “calhaus”, o menosprezar o município e o constante extravasar daquelas que são as competências e atribuições de uma Junta de Freguesia no seu relacionamento com o Município, são uma marca do nosso executivo, que não dá mostras de querer mudar de rumo.

Com tudo isto, quem fica a perder são os taipenses que vêem uma vila estagnada no tempo, fruto da conflitualidade e falta de diálogo entre dois órgãos autárquicos que deveriam manter boas relações, pelo menos, institucionais.

Mas, este executivo não dá sinais de querer descer do alto da sua vaidade e arrogância políticas que, convenhamos, é muito apreciada por alguns eleitores taipenses, mas que, quer queiramos quer não, conduziram ao marasmo e à estagnação completa de Caldas das Taipas.

Relembro só que o actual presidente da Junta, antes de ser eleito criticou o seu antecessor, Eng.º Carlos Remísio, por não ter poder reivindicativo perante a Câmara, ao mesmo tempo que prometeu que, caso fosse eleito, teria o tal poder reivindicativo que a nossa vila merece. Pois, é o que se tem visto… esta Junta de Freguesia faz muitas reivindicações… mas não tem qualquer poder reivindicativo…

A contrastar com esta atitude de hostilização permanente e exacerbada ao Convento de Santa Clara, existem casos de presidentes de Junta de outras freguesias do nosso concelho que, embora pertencendo a partidos políticos diferentes do instalado no poder municipal, têm levado o barco a bom porto, dialogando com a Câmara com sentido de responsabilidade, humildade e consciência das suas competências, por um lado, e mostrando obra e trabalho, conseguido sem a ajuda do município mas com muito empenho e ideias inovadoras concretizáveis, por outro.

Disso mesmo dão conta dois reconhecidos comentadores políticos da nossa praça, o comunista e meu amigo, Rogério Leite Silva, e o “nosso Marcelo” e meu tio, António Joaquim Oliveira (“Quim Vilas” para os amigos).

O primeiro, em artigo de opinião publicado no site deste jornal, acusa a Junta de Freguesia de Caldelas de se perder num enredo de projectos que não dependem de si e de responsabilizar permanentemente a Câmara pelo incumprimento das promessas, em contraste com o executivo da freguesia de Moreira de Cónegos que sabe interpretar perfeitamente o papel de proximidade que se exige a um órgão de poder local, Junta de Freguesia, com uma aposta muito forte na cultura, nomeadamente com a realização da “Semana da Poesia”, iniciativa que envolveu diversas associações e entidades locais, e a inauguração da Biblioteca de Moreira de Cónegos. Tudo isto realizado sem o apoio do poder municipal, mas com muito trabalho, inteligência e astúcia.

Já o segundo, no seu blogue (www.vilasdastaipas.blogspot.com), dá conta de um artigo de opinião do presidente da Junta de S. Torcato, militante de peso do PSD concelhio e distrital com reconhecidas competências políticas, que escreveu um artigo de opinião, sobre o voto dos presidentes de Junta nas Assembleias Municipais. Quem tem acompanhado o trabalho desenvolvido por este jovem autarca percebe que o seu relacionamento institucional com a Câmara de Guimarães, apesar das diferenças ideológicas e políticas, são bem mais sãs e com isso, como se tem constatado, quem fica a ganhar é a freguesia e os eleitores que são governados por presidentes de Junta deste calibre.

Ao que estes dois ilustres comentadores políticos escreveram eu acrescentaria que a Junta de Freguesia, ao invés de se perder em guerras absolutamente infrutíferas com a Câmara, deveria antes dar atenção a acções que estão no âmbito das suas competências e capacidades.

Nomeadamente, porque razão mais uma vez a nossa Junta de Freguesia não aderiu ao protocolo celebrado entre a presidência do Conselho de Ministros e a ANAFRE (Associação Nacional de Freguesias), no sentido de prestar apoio aos nossos eleitores na informação e preenchimento das declarações de IRS por via electrónica, a troco de contrapartidas financeiras estabelecidas em tal protocolo? Mais uma vez será culpa da Câmara?

Por fim, sugiro ao nosso executivo que esteja atento e não esmoreça na questão dos 5.000 eleitores, pois constatei, pela leitura do mapa de eleitores nacionais, inscritos em 31 de Dezembro de 2007, e publicado pela Direcção Geral de Administração Interna, na 2.ª Série do Diário da República, do passado dia 4 de Março, que a freguesia de Caldelas tinha, nessa data, apenas 4991 eleitores.

Basta de mau relacionamento entre a nossa Junta de Freguesia e a Câmara Municipal de Guimarães! Basta de falta de humildade e de incapacidade para reconhecer os erros! Basta de marasmo e estagnação! Basta de desculpas!
Os taipenses não merecem isto…