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  POLÍTICA   D. Jorge Ortiga nas Taipas
Segunda-feira, Março 31, 2008

O mês de Fevereiro registou, nas Taipas e nas freguesias vizinhas, a presença de D. Jorge Ortiga. Esta personalidade representa a estrutura eclesiástica mais importante da arquidiocese de Braga, que, como se sabe, ultrapassa as fronteiras do distrito.

Há poucos anos, a presença de um bispo nas freguesias só se daria por ocasião e por causa do “crisma”. Raramente, é a minha percepção, os “bispos” da igreja católica deslocavam-se às freguesias para uma missão evangelizadora e de formação.

Num estado de direito democrático e num estado em que vigore a liberdade religiosa falar de uma confissão, em particular, pode susceptibilizar outras confissões. Não é isso que se pretende. Pretende-se sim, lembrar que, para o bem e para o mal, – muitas vezes para o mal – a igreja cristã e o no caso dos portugueses a católica é parte integrante e decisiva da nossa cultura. Os portugueses, independentemente da ideologia política que professem, estão inexoravelmente fundidos, com a cultura greco-cristã. Isto é, a nossa maneira de pensar, viver, e de interagir, bem como os nossos códigos morais, assentam em princípios que se inscreveram arreigadamente na nossa cultura provindos da religião cristã. É a massa de que somos feitos. Negar tal evidência é quase intentar uma revolução cultural à imagem de que Mao Tse Tung tentou na China.

Posto isto, a presença de D. Jorge Ortiga nas Taipas deverá ser entendida como a visita de um representante de uma instituição que pela sua grandeza e importância não poderia deixar de assinalar.

No contexto dessa visita, foi proporcionado o contacto do representante da igreja católica com as organizações e associações sedeadas na Vila inclusivamente uma visita ao edifício da junta de freguesia.

Nesse breve contacto, D. Jorge Ortiga teve a preocupação de referir que vivemos, felizmente, num estado laico: “à igreja o que é da igreja ao estado o que é do estado”, mantendo-se esse funcionamento sem interferências recíprocas. Melhor dizendo, as leis da igreja não são as leis do estado.

Esta posição de principio fundamentante da actuação da igreja católica permite-lhe, com mais independência e vontade, voltar-se para ela própria e renovar-se. Foi essa a mensagem que D. Jorge Ortiga trouxe às Taipas: a renovação permanente da igreja para acompanhar o tempo dos homens. Para isso, o investimento na formação dos cristãos/católicos e na qualidade da catequese, são pilares orientadores.

Para que a igreja se possa renovar, o testemunho da simplicidade – muito bem corporizado na pessoa de D. Jorge Ortiga – da proximidade, e da riqueza da sua mensagem, (sem deixar de ser simples e clara) terão um impacto significativo na comunidade dos homens cristãos.

Mais do que nunca, e sempre assim será, a igreja terá que trazer para a sua actuação os valores do cristianismo: de igualdade, fraternidade e liberdade. E prosseguindo a sua actuação junto dos pobres, dos excluídos e daqueles que perderam o sentido da vida.

É para esses que Cristo fundou a sua igreja.

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