PUB
  POLÍTICA   Sem Reis nem Subditos
Segunda-feira, Março 31, 2008

Já poucos terão dúvidas quanto ao péssimo estado a que chegaram as relações políticas entre a Junta de Freguesia de Caldelas e a Câmara Municipal de Guimarães. Do que muitos ainda não se aperceberam foi das consequências nefastas daí resultantes para o inadiável progresso da Vila.

Cotejando as Taipas com outras freguesias de idêntica dimensão territorial, populacional e económica, verificamos que não colhe o argumento dos que alegam discriminação, avaliada esta pelo volume de euros repartidos ao longo dos mandatos de Remísio Castro. Aliás, se a comparação for entre vilas, também nesse campeonato não podemos negar a evidência – as Taipas não foram esquecidas como algumas vozes alegam.

A questão pertinente não é a da discriminação negativa, mas a da discriminação positiva. Eu explico melhor.

Eu sou dos que entendo a Vila como cabeça e coração de uma área geográfica que ultrapassa as fronteiras da freguesia, abarcando comunidades vizinhas que gravitam em torno dela. Assumir isto não se confunde com sonhos autonómicos, nem com crescimento de uma freguesia à custa da fraqueza das situadas à sua volta. O que eu defendo há muito é uma ocupação racional do território, uma política municipal de obras e investimento que centralize nas Taipas um conjunto de equipamentos e valências projectados para uma conjunto populacional mais vasto que o da Vila e que pelo custo e importância não podem ser disseminados em nome da racionalidade económica.

Como resulta óbvio, uma política desta natureza exige concertação estratégica com as freguesias vizinhas e não atitudes de sobranceria; exige respeito mútuo pelas diferentes identidades locais; e exige também definição rigorosa do lugar e papel de cada freguesia no contexto da comunidade vimaranense e de cada comunidade regional.

A partir destas premissas, defendo que é do interesse de Guimarães dotar as Taipas de um tratamento privilegiado, investindo de modo a concretizar o objectivo principal que é, no meu modesto entendimento, potenciar as dinâmicas sociais e económicas capazes de a médio prazo a transformarem num pólo de desenvolvimento sustentado assente no descanso, no turismo, no desporto e na cultura.

O que aqui digo disse-o antes na Câmara de Guimarães, na Assembleia Municipal, na Assembleia de Freguesia e na Assembleia da República, sempre que foi oportuno debater e aprovar planos e orçamentos ou o orçamento geral do estado, o que me dá autoridade política para rebater os que me acusam de ser igual aos que tendo estado onde eu estive ou estando ainda onde eu já estive antes primaram pelo silêncio e pelo alinhamento com as orientações das suas bancadas.

A estratégia de confronto não serve o progresso das Taipas, como se está a ver. São bombas de Carnaval que só ferem os incautos.

As Taipas precisam de cultivar o diálogo com a Câmara. Um diálogo respeitador, construtivo, sem reis nem súbditos.

26