OPINIÃOQuatro Projectos para as Taipas
Quarta-feira, Janeiro 9, 2008

O executivo da Junta de Freguesia apresentou na última Assembleia, inserido nas opções do plano, quatro grandes projectos para a vila. Estes projectos foram divulgados aos presentes através de uma excelente apresentação multimédia, vistosa, atractiva e esclarecedora.

Como confirmou o Sr. Presidente da Junta, estes projectos vem na senda das promessas eleitorais efectuadas em 2005 pela sua equipa. Eu acrescentaria que esta apresentação mantém também a fórmula usada nessa mesma campanha: em grande estilo.
Apesar de tudo, desta apresentação, registem-se desde já duas considerações:
1.ª – É positiva a ambição demonstrada pelo actual executivo com os projectos apresentados.
2.ª – A serem concretizados, estes projectos beneficiariam inegavelmente as Taipas e a sua população.

Ora, se é verdade que como diz o poeta “o sonho comanda a vida”, também é verdade que projectar e prometer o que não depende dos próprios, está ao alcance de qualquer um e não será certamente uma atitude tão elogiável como aparenta. Pois, um projecto ambicioso que não reúna os pressupostos indissociáveis à sua viabilização, vale o que vale.

Sendo assim, neste caso o que para alguns é um projecto ambicioso para as Taipas, para outros não passará de um mero plano de ilusões.
Entre vários pressupostos necessárias para a concretização destes projectos, realço o seguinte:

Alargamento do cemitério – passará pela permuta de terrenos e depende de uma decisão favorável da Câmara Municipal.

Projecto do cais e praia fluvial – precisa de verbas que a Junta não tem e depende de decisão favorável da Câmara Municipal.

Bar do CC Taipas – a actual situação financeira do clube não lhe permitirá certamente a execução deste projecto, a Junta também não estará em condições de o fazer. Quem suportará os custos desta obra?

Parque de lazer – necessita de um parecer favorável da Câmara Municipal e de ser integrado nos investimentos do QREN, o que, analisado à luz dos critérios exigidos por este, é muito pouco provável acontecer.

Assim, temos que nada do projectado está directamente nas mãos da Junta e que uma das chaves – talvez a mais importante – para abrir as portas à concretização dos projectos se encontra no Convento de Santa Clara em Guimarães.

Aqui chegamos ao cerne da questão. Para que estes projectos sejam um plano ambicioso e não um mero plano de ilusões, é necessário que as relações entre Junta e Câmara se alterem radicalmente. Ou seja, por um lado que a Junta abandone a política de confronto com a Câmara, por outro, que esta respeite as Taipas e as suas legitimas aspirações de desenvolvimento.

Pelo que temos visto ao longo de dois anos, nem a Junta tem demonstrado intenções de baixar a espingarda, nem a Câmara abdicado de responder com as armas que possui.
A culpa, cada um dos presidentes dirá que está no outro lado. Lamentavelmente, são as Taipas e os taipenses que perdem com esta guerra absurda.