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  POLÍTICA   Turitermas
Quinta-feira, Setembro 20, 2007

Nas Taipas desperdiçam-se oportunidades de progresso, sendo comum a tentativa de atribuir culpas a terceiros que é, como bem se sabe, o bode expiatório das incompetências próprias.

Quando alguém, colectividade, clube, associação ou entidade quer justificar o seu insucesso ou quer explicar as razões do fracasso das suas promessas e propostas, começa por convocar em seu benefício todos os fantasmas, retirando do armário os cadáveres de estimação dos seus adversários, dos que no passado as dirigiram e também as forças ocultas que silenciosamente conspiram contra os novos eleitos.

É assim, do futebol à política, da cultura ao desenvolvimento. Da Junta ao Taipas, da Banda de Música aos Bombeiros.

O progresso das Taipas passa (ia a dizer, obrigatoriamente) pela interacção de dois vectores – o poder político local, ou seja a Junta de Freguesia e o braço armado da Câmara para o desenvolvimento da freguesia, a empresa municipal Taipas Turitermas.

A Turitermas tem um activo invejável e explora actividades em regime de monopólio na área do turismo, do lazer e da saúde que, se bem geridas, dão lucro e libertam meios financeiros que não podem ficar imobilizados em reservas ou, o que seria mais incompreensível se se verificassse, não podem servir para mordomias da classe dirigente.

Sendo uma empresa em que a Câmara detém a maioria do capital, por via da valorização de património que no passado pertenceu à extinta junta de turismo das Taipas e da incorporação das termas, a presidência pertence ao presidente da Câmara ou a quem ele nomear, por imperativo estatutário. Neste momento, o presidente do conselho de administração é o dr. José Luís Oliveira, que representa o presidente António Magalhães.

Porém, na prática, a administração está nas mãos de um administrador delegado, o homem que se dedica a tempo inteiro à gestão da empresa e quem cumpre as orientações e decisões da administração.

Não conheço, porque não foi publicitado, o plano estratégico da Turitermas para os próximos anos. Ignoro se vai investir e onde vai investir, mas sei que até agora, desde que tomaram posse, os actuais gerentes se limitam a fazer a gestão corrente.

A Turitermas é gerida não como uma empresa do sector empresarial local, mas como uma empresa cujo capital pertence a privados. Está mais próxima de uma loja maçónica do que de uma empresa de capitais públicos. Mas mais grave do que o secretismo que a rodeia e fazem dela uma coutada, é o seu imobilismo. A Turitermas existe, tem a piscina, o parque de campismo e os banhos e limita-se a mantê-los em funcionamento, o que sendo alguma coisa é muito pouco para o muito que está ao seu alcance.

Tomando o exemplo de outras empresas do sector empresarial local, é caso para dizer que a Turitermas só não faz mais e melhor porque a sua administração se contenta com o pouco que faz e ninguém lhe exige mais.

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