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  POLÍTICA   Gato escondido com o rabo de fora
Segunda-feira, Julho 23, 2007

O clube motard de Guimarães tem escolhido, nos últimos anos, a nossa vila para realizar a sua concentração anual, rendidos à beleza da nossa terra e à hospitalidade das suas gentes. No ano transacto assim o fizeram, não obstante alguns episódios anormais que aconteceram.

Na altura, não percebi muito bem o que esteve na génese do problema, se seriam quezílias e guerrilhas políticas entre a Junta e a Câmara, ou se, de facto, alguns moradores da Alameda Rosas Guimarães se sentiam prejudicados com a realização do evento.

Foi precisamente para tentar perceber o que aconteceu que me desloquei, a semana passada, ao Tribunal Administrativo e Fiscal de Braga, para consultar o processo e perceber o que, entretanto, se passou.
Descobri alguns factos que, em conjunto com outros que já conhecia, passo agora a partilhar com o leitor:

1 – A Junta de Freguesia andou a angariar moradores (que só agiram pressionados por aquela) da Alameda Rosas Guimarães para intentar uma providência cautelar contra a Câmara para impedir a realização da concentração motard;

2 – A providência cautelar tinha como função suspender a eficácia da decisão da Câmara, tomada em 4 de Julho de 2006, que autorizava a realização do evento, e só deu entrada em Tribunal no dia 4 de Setembro de 2006, 4 dias antes da realização do evento;

3 – Os moradores alegaram que a concentração violava bens constitucionalmente consagrados como a saúde pública, o ambiente e a qualidade de vida;

4 – Estes moradores nunca, em anos anteriores, tinham apresentado qualquer queixa junto do Município contra a realização do evento;

5 – Tal como nunca se mostraram perturbados ou prejudicados com a realização das festas de S. Pedro e com o “Rock in Taipas”;

6 – O advogado dos moradores trabalha no escritório que tem avença com a Junta de Freguesia de Caldelas;

7 – A única testemunha arrolada pelos requerentes foi Constantino João Quintas Veiga;

8 – O processo foi, entretanto, arquivado, a pedido dos dois moradores, sem que estes tenham sequer intentado a acção principal e, portanto, sem que se tenha discutido da sua razão ou não;

9 – A Junta de Freguesia decidiu apoiar e dar voz à pretensão destes moradores insurgindo-se contra a Câmara Municipal de Guimarães, pondo-se assim do lado oposto dos comerciantes de hotelaria e restauração da vila que muito ganham com a realização do evento.

Com tudo isto cheguei à conclusão de que tudo, afinal, não passou de mais uma guerra e um ataque à Câmara Municipal por parte da nossa Junta e que os dois moradores agiram apenas e só para fazerem um favor ao executivo, sem que realmente se preocupassem muito com a realização ou não da concentração.

O leitor tirará as suas conclusões. Quanto ao executivo, se quiser contrariar e refutar o que aqui escrevo, tenha a bondade de apresentar as suas explicações.

É caso para dizer que se trata de mais um típico caso de “gato escondido com o rabo de fora”…

Post Scriptum – Armando Marques, tesoureiro da Freguesia, escrevia o seguinte sobre este tema, no Reflexo de Setembro de 2004: “Está anunciada mais uma concentração motard na nossa vila. Embora hajam vozes dissonantes, penso eu que este tipo de iniciativas tem mais aspectos positivos do que negativos e é uma realização que, quando bem aproveitada, poderá trazer “retorno” ao nível de visitantes para a nossa vila” (sic).