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  SAÚDE   Como proteger o nosso coração?
Terça-feira, Junho 26, 2007

A esperança de vida da população portuguesa tem vindo a aumentar nas últimas décadas, devido à melhoria das condições de vida, e ao progresso científico, como por exemplo na área da medicina.

Por outro lado, a melhoria das condições de vida trouxe também alguns inconvenientes: estamos a comer mais e de uma forma menos saudável; e estamos a praticar menos exercício físico.

Não é de admirar que a principal causa de morte e de doença nos países desenvolvidos tenha passado a ser a patologia cardiovascular, responsável por quase metade das mortes nos países mais evoluídos.

Como podemos controlar os factores de risco cardiovascular, não só para aumentar a expectativa de vida, mas também para termos uma melhor qualidade de vida?!

Hipertensão arterial e sal
A hipertensão arterial é um factor de risco muito importante. A tensão arterial elevada, nas fases iniciais, não dá sintomas.

O que fazer em relação a este factor de risco?

Primeiro medir a tensão arterial. Quando a tensão arterial está elevada, mais de 140/90mmHg, deve consultar o seu médico para controlar a tensão arterial. Mas como se pode prevenir ou tratar a hipertensão?

Diminuir o consumo de sal
Não se deve adicionar sal na preparação dos cozinhados, nem usá-lo à mesa. O nosso pão é o mais rico em sal de toda a Europa, mas já existe à venda pão com meio sal. Evitar comida rápida, enchidos, conservas e sopas instantâneas, também pode ser útil.

Se for necessária medicação, estão ao nosso dispor inúmeros medicamentos que nos permitem controlar todos os valores tensionais. Tomar medicamentos não significa ter a tensão arterial controlada! É preciso vigiá-la periodicamente e fazer os ajustes terapêuticos necessários para se obterem níveis tensionais normais. A terapêutica da hipertensão arterial é para se fazer durante toda a vida, sem parar, mesmo que a tensão arterial atinja valores normais.

Colesterol e dieta
A dislipidémia é outro factor de risco cardiovascular extremamente importante, em que há subida dos níveis de colesterol e /ou triglicerídeos bem como redução dos níveis do colesterol protector, o colesterol bom, o colesterol HDL.

Os hábitos alimentares tradicionais dos Portugueses, são caracteristicamente ricos em verduras, fruta, peixe, cereais e azeite. Mas as gorduras saturadas, como a manteiga, os molhos, as natas, os fritos e as carnes gordas, começam a predominar na nossos hábitos alimentares. Voltem aos hábitos alimentares tradicionais portugueses!

Os triglicerídeos sobem com o consumo excessivo de hidratos de carbono, de açucares e de doces, e também com a ingestão de álcool. Façam esse sacrifício pela saúde do vosso coração!

Quando as medidas dietéticas não conseguem resolver a alteração das gorduras, teremos de usar medicamentos, que são comprovadamente eficazes, provavelmente para toda a vida.

Tabaco
O tabaco é sem dúvida responsável por perturbações graves na saúde dos consumidores, com diminuição da qualidade de vida e da esperança de vida. Mas também é responsável por danos sérios nos fumadores passivos.

A nível das coronárias, as artérias do coração, o tabaco é responsável por enfarte do miocárdio e sobretudo pela morte súbita.

É evidente que quase todos os fumadores gostariam de deixar de fumar, mas essa não é tarefa fácil. Para deixar de fumar é preciso motivação, e existem alguns métodos que poderão ajudar a abandonar o tabaco.

Mas o mais importante: é mais fácil não começar a fumar do que deixar de fumar. Essa é a responsabilidade dos pais e dos educadores.

Diabetes
A diabetes é também um factor de risco importante.

O doente diabético deve ser visto como um doente com risco aumentado de vir a sofrer doença cardiovascular, pelo que é de extrema importância o tratamento e o controlo dos outros factores de risco (tabagismo, a tensão arterial, o colesterol, o peso) e a actividade física.

Excesso de peso
A obesidade é considerada um factor de risco muito importante para a doença cardiovascular.

Os obesos vivem menos tempo do que as pessoas com peso normal pois estão mais sujeitos a hipertensão arterial, dislipidémia, diabetes.

Devem ser feitas várias refeições ligeiras por dia, entre 6 e 7, e muito importante, deve-se praticar exercício físico de forma regular.

Exercício físico
A falta de actividade física tem ganho importância como factor de risco.

Passamos cada vez mais tempo à frente do televisor; os múltiplos jogos de computador afastam os jovens das suas actividades tradicionais, como o futebol, a bicicleta, os patins…Cada vez estamos mais dependentes do carro. Deixamos de subir escadas porque há o elevador. Estamos cada vez mais inactivos.

E o exercício físico não é só para os jovens. A actividade física é para ser feita toda a vida adaptando-a à idade. Uma caminhada de 30 min, 3 a 4 vezes por semana, não seria possível?

E o agradável no exercício físico, é o facto de ele ajudar a controlar os outros factores de risco, que já abordamos.

Stress
Os avanços tecnológicos trouxeram-nos vantagens, como melhores condições de vida e melhores cuidados de saúde, mas também os inconvenientes de uma vida a correr, sempre em luta contra o relógio e em competição com os outros, dificultando e afectando também as relações interpessoais.

O stress também leva a um maior consumo de tabaco, a um aumento dos valores tensionais, a uma alimentação desequilibrada e com isso a uma maior risco cardiovascular.

Como combater o stress?
Programar o dia de forma a rentabilizar o tempo, reservando algumas horas por semana para actividades que o descontraiam. Se sente que chegou ao limite, páre, mesmo que atrase as suas actividades.

Em conclusão, a luta contra os factores de risco da doença cardiovascular não é fácil. Exige autodisciplina, e muita motivação. Haverá derrotas, mas também vitórias. Mas o esforço vale a pena, pois teremos a garantia de viver com mais saúde os anos que estivermos na Terra!

E será bom poder amar e viver com um coração saudável!