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  POLÍTICA   Fronteiras que não se devem passar
Segunda-feira, Junho 4, 2007

A assembleia de freguesia para apreciação da conta de gerência do ano passado degenerou no exemplo do que não deve ser feito.

Quer no plano legal, quer no plano formal, quer no plano documental a proposta da Junta de Freguesia não primava nem pela objectividade, nem pela clareza.

Bem pelo contrário, abundavam as lacunas. Por isso foram denunciadas.

Mas foi a propósito das contas relativas às festas da Vila que o caldo se entornou. Depois de alguns membros da assembleia, no seu legitimo direito à informação, suscitarem explicações e a exibição de provas documentais que as sustentassem, gerou-se semelhante balbúrdia na sala, com insinuações, afirmações, acusações e até ameaças, que o debate deixou de o ser.

Presumo que os leitores sabem que eu faço parte da assembleia de freguesia. Nessa qualidade estive presente e tomei a palavra. Disse o que em meu modesto entendimento era preciso para demonstrar o meu descontentamento com a proposta da Junta, deixando perceber que, a exemplo de anos anteriores, as contas das festas deviam ser de fácil consulta, através de uma dossier separado contendo fotocópias dos documentos arquivados na contabilidade.

Só desse modo se diminui a especulação, especulação que frequentemente atenta contra a honestidade dos responsáveis. Eu não duvido de ninguém, salvo se me provarem que há razões para não confiar, o que não foi e não é o caso.

Outros não são como eu. Sem lhes negar o direito de pensar diferente de mim, não podia permanecer de braços cruzados enquanto os membros da Junta em geral e um deles em particular viu a sua seriedade, a sua probidade questionadas. Nesse momento foi pisada a fronteira que eu acho não poder ser pisada, a fronteira que separa a dúvida justa e pertinente da insinuação/acusação que ofendendo no plano pessoal, mancha a honra dos visados e conspurca a dignidade do órgão autárquico de que faço parte.

Divirjo de quase tudo que o PSD defende, propõe e faz. Mas quando toca à honra e à dignidade, tomo posição. Foi o que fiz, separando os contendores e contribuindo para encerrar o assunto a bem de todos. Porque acusadores e acusados perderam a cabeça.