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  POLÍTICA   Com a saúde não se brinca
Terça-feira, Abril 10, 2007

A assembleia de freguesia, ao adoptar a proposta que visa a criação do conselho consultivo do Centro de Saúde das Taipas, não só está a preencher um vazio que a lei define, como está a dizer que quer ter uma palavra na defesa da saúde dos taipenses, porque a saúde é um direito.

Quando se tem um direito, não se pede, não se mendiga – exige-se que o mesmo seja cumprido, a começar pelos governantes e a acabar nos que por função ou dever o executam.

Colocado perante a pesada factura do serviço nacional de saúde, o ministro Correia de Campos resolveu cortar a torto e a direito, não olhando a meios para atingir os fins. Pelo caminho vão ficando serviços úteis à população pela sua proximidade, caso de maternidades, centros de saúde e urgências.

Ninguém defende que o dinheiro dos contribuintes seja mal gasto, bem pelo contrário. Quem paga exige o bom uso do seu dinheirinho, mas infelizmente verifica que enquanto se corta na saúde a esmo pagam-se chorudas indemnizações a administradores de empresas públicas, que depois se empregam noutra empresa pública do mesmo grupo, em acumulação de vencimentos e pensões, pagam-se altíssimos salários a dirigentes de empresas municipais, pagam-se soldos escandalosos a quadros do Banco de Portugal. Isto para não falar dos lucros fabulosos da banca e empresas do sector financeiro que pagam impostos mais baixos do que algumas mercearias, sem que o governo mostre vontade de ir buscar dinheiro onde o há, em vez de sobrecarregar quem pouco tem.

Ao aprovar por unanimidade a proposta que visa a criação do conselho consultivo do Centro de Saúde das Taipas, os membros da assembleia de freguesia afirmaram a sua intenção firme de cortarem com o passado, declarando-se prontos e disponíveis para assumirem responsabilidades no capítulo dos cuidados primários de saúde. Não para se envolverem na gestão, porque essa área pertence à direcção. Mas sim para acompanharem o funcionamento do centro, fazendo-se eco das críticas, queixas e reclamações da população, para que não caiam em saco roto.

O que a Assembleia de Freguesia quer é um serviço de saúde eficiente, logo com bom uso do dinheiro público, e eficaz, logo que satisfaça as necessidades dos utentes. E isto passa por profissionais de saúde em número adequado, por condições de trabalho, por equipas mais motivadas. Nestas matérias o conselho consultivo tem uma palavra a dizer, porque pode dizer alto o que outros, a começar nos profissionais de saúde e a acabar nos utentes, só dizem baixinho.