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  POLÍTICA   Salazar ainda vive nas Taipas
Terça-feira, Abril 10, 2007

SALAZAR foi eleito, por alguns, o “maior português de sempre”, em concurso promovido pela RTP – “a televisão de todos os portugueses”.

Sinceramente não estou a par do que se ensina hoje, na disciplina de história, nas escolas portuguesas. Há pouco tempo, portanto, no meu tempo, os livros de história davam grande importância à chamada “Ínclita Geração” que eram os filhos e netos de D.João I, ex-Mestre de Aviz. Foi com eles que Portugal deu mais mundos ao Mundo e nos pôs na liderança mundial da época. Durante um século, fomos nós e logo a seguir os Castelhanos/Espanhóis, que lideramos o comércio mundial: primeiro as especiarias, depois o ouro e os escravos.

Salazar instituiu um regime cuja sobrevivência era em grande parte assegurado pela PIDE – Policia que combatia a liberdade de pensamento e de expressão. Esta polícia revelava uma grande eficácia em virtude de contar com a colaboração de “informadores” não identificados. “Os bufos”. Um cronista habitual deste Jornal, já veio a estas páginas, em jeito de herói, afirmar que tinha sido informador da PIDE. Ora, esta função, mais do que agente da PIDE, é a que merece mais censura.

Por causa da existência destes informadores, muitos portugueses foram presos, torturados, deportados, por delito de opinião. Houve ainda outros que, sem expressarem opinião, também sofreram as agruras do regime de Salazar por não serem do agrado, da amizade desses informadores. A existência de informadores do regime já é, por si, uma aberração anti-humana. Agora, a publicitação da prática dessa função raia o descaramento e ofende, ainda, aqueles que foram prejudicados. Ter sido informador da PIDE é um facto que envergonha quem o foi. Anunciar isso em jornal ainda deveria corar mais de vergonha quem o diz.

Como toda a gente sabe, existem em todos os partidos os “bufos”. Actualmente, são aqueles que mantêm informada a Câmara de Guimarães sobre o que se passa nas Taipas.

Como também é público, o Presidente da Câmara de Guimarães não morre de amores pelo Presidente da Junta das Taipas. Poderíamos pensar que a razão disso residiria numa questão partidária. Não, a razão não é só essa.

O Presidente da Câmara de Guimarães e o Presidente da Junta das Taipas nunca tiveram a mais pequena divergência, aliás, nunca falaram nas ditas qualidades. Então o que os divide?

Os informadores. Os homens de confiança. “Os bufos”.

Agora com outras funções, os informadores existem. Existem para deturpar o que cada um declara. Existem para promover as más relações entre entidades democraticamente eleitas. Existem para prosseguir interesses pessoais e não gerais.

Eles estão nas Taipas e existem para a defesa do “Estado de Guimarães”.
Viva o 25 de Abril; a liberdade de pensamento, expressão e opinião.

Nota da Redacção: Por lapso da redacção, os três últimos parágrafos deste texto, não foram reproduzidos na edição número 130 do jornal Reflexo.