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  VISTO DE FORA    Um repto, os acessos e o Vitória
Sábado, Março 24, 2007

Para os taipenses que vivem fora

O distanciamento permite-nos ver de forma diferente. Nem melhor, nem pior. Apenas de forma diferente. Valorizamos algumas coisas, desvalorizamos outras. Sentimos mais as mudanças, avaliamos as coisas com outros olhos.

Lanço por isso o repto aos taipenses que vivem fora (os emigrantes ou expatriados, os que, vivendo em Portugal, se afastaram das Taipas) e aos que não sendo das Taipas, têm uma visão sobre a Vila que gostariam de partilhar: escrevam-me. Mandem textos, opiniões e comentários, falem-nos do vosso olhar sobre a Vila, as coisas que relembram com saudade, as diferenças que encontram quando cá vêm, as sugestões de mudança que, de acordo com as vossas vivências e experiências, gostariam de ver por cá.

É meu objectivo que este espaço seja também vosso.
O email: reflexo.vistodefora@gmail.com

As acessibilidades

Ainda hesitei entre abordar, ou não, este assunto. Já muito foi escrito no jornal, no site, em artigos de opinião e comentários. Mas é mais forte do que eu.

Ao longo de toda a sua existência, vários artigos do Reflexo alertaram para a importância de boas acessibilidades para a Vila. Participei, numa das primeiras edições, numa análise profunda aos acessos às Taipas, para quem vem de fora. As dificuldades então encontradas nas diferente alternativas – filas de trânsito, semáforos limitadores de velocidades, atalhos perigosos, tempo muito acima do esperado para o número de quilómetros percorridos, entre outros – pioraram.

Ficou a saber-se que “as actuais dificuldades de acesso” foram apontadas pelo Governo como uma das razões para que o Instituto Ibérico não viesse para o Avepark.

Os bons acessos são fundamentais. Para quem vive fora e para quem vive cá. E as empresas, antes de se instalarem num qualquer local, pensarão: quanto tempo é que demoramos a chegar à AE, ao Porto de Leixões ou ao aeroporto? Isso representa um custo e as empresas fazem bem as contas antes de decidirem investir.
Não ter dado atenção às acessibilidades foi um erro. Já se perdeu com isso. Fica a esperança que o erro seja corrigido o quanto antes.

Vitorianos vistos por gente de fora

Os cidadãos dos países africanos de língua portuguesa têm uma ligação a Portugal que me surpreendeu muito (pela positiva). Pelo menos em Angola e Cabo Verde. O futebol tem aí uma grande responsabilidade. Sabem tudo sobre o campeonato, os clubes, a selecção.
Recentemente, num desses países, um nativo perguntou-me se era benfiquista (de facto, o clube com mais adeptos nos palop). Disse-lhes que não. Então és do Sporting! Também não. Porto? Não… Então, se não és adepto de nenhum destes três, só resta uma hipótese: és do Vitória.
Os vitorianos têm esta característica: não precisam acrescentar um dos chamados “três grandes” à lista de preferências clubísticas. Quem vê de fora também o sabe. E descobrir isso em África soube muito bem.