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  POLÍTICA   “Quem tem boca vai a Roma”
Quarta-feira, Fevereiro 28, 2007

Quem viaja por este país mal fadado e tem o arrojo de sair das auto-estradas e se o seu automóvel não é dotado de GPS com “software” actualizado facilmente se sente perdido na imensidão deste Portugal. Um povo que aceita com bondade que “quem tem boca vai a Roma” não se insurge contra o defeito nacional da ausência de sinaléctica suficiente, clara e elucidativa que identifique as estradas, as localidades, os sentidos, as distâncias e as alternativas ao viajante.

Um país que se quer assumir com vocação turística não pode permitir-se do desleixo da ausência de sinalização com as características aqui mencionadas.

O concelho de Guimarães enferma dessa carência. Quem se dirige para o concelho vindo de outras localidades, se vier orientado na (má) sinaléctica existente não encontrará, por certo, a Vila das Taipas.
Os sinais existentes estão colocados para quem conhece e não para quem não conhece.
Chega um ilustre visitante ao nó de Silvares da A7 e se se quiser dirigir para a Vila das Taipas não tem qualquer sinal indicador. Terá que se deslocar para Guimarães e aí, poderá encontrar, um sinal pequeno, a indicar o sentido de Braga.

Quando a Estrada Nacional n.º 101 ainda fazia as curvas que roçavam a Atouguia, existia um grande sinal, de cor branca, letras pretas, de dimensões bem legíveis que dizia “Taipas 6 km”. Esse sinal era acarinhado pelos estudantes das Taipas que, ao tempo, “enriqueciam” as escolas secundárias da cidade de Guimarães. Era um tempo em que as Taipas ainda existiam na sinaléctica de Guimarães.

Agora não existe. Será deliberado? O povo responde: “quem não aparece esquece”. A propósito, sabiam os caros leitores que os próprios nomes da rua são uma competência da Câmara Municipal? E que a atribuição dos nomes das ruas só se faz a partir de uma proposta da Junta de Freguesia à Assembleia de Freguesia, que depois de aprovado será aprovado em reunião de Câmara que por sua vez a levará à ratificação pela Assembleia Municipal.

Ninguém duvida que os nomes das ruas e atribuição de um número de porta (n.º de polícia) tem cada vez mais importância principalmente quando os serviços de correio estão mais interessados em devolver cartas por insuficiência de endereço do que encontrar os reais destinatários.

Pois é, isso deveria ser uma competência das freguesias, deveria constituir património da freguesia; deveria ser um bem a proteger pela freguesia.

Neste país, a sinaléctica deveria ser uma causa nacional. No entanto, as competências e as normas que disciplinam esta matéria são vastíssimas ao ponto de serem as próprias entidades responsáveis a terem dúvidas quanto à legalidade de qualquer decisão.

Lembrem-se da deliberação da Assembleia de Freguesia a aprovar a denominação que deveria ser levada à sinaléctica – “Taipas, capital da cutelaria” e que alguém se encarregou de arranjar argumentos para não executar.

Depois achámos estranho que os estrangeiros nos apontem no mapa como uma província espanhola. E logo a nós que nem a nós próprios nos assinalámos