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  POLÍTICA   Carne para canhão
Quinta-feira, Janeiro 4, 2007

Se eu fosse presidente da Junta de Freguesia não me tinha intrometido nas questões entre os comerciantes das Taipas e a ACIG, Associação Comercial e Industrial de Guimarães e muito menos tinha a iniciativa de promover a criação de uma outra associação empresarial.

Porque não compete a um órgão autárquico ajuizar da razão dos litigantes.

Porque não cabe à Junta substituir-se aos empresários na criação de uma estrutura que os represente. Quando muito, cabe-lhe apoiar, nunca tomar a iniciativa.

Porque, por muitos esforços que a Junta agora faça no sentido de negar a paternidade, a iniciativa tem a marca política própria dos actos praticados por um órgão político, o que se agrada a alguns desagrada a muitos outros, limitando a sua capacidade de intervenção. Se dúvidas houvessem, o presidente da Câmara dissipou-as.

Porque a ACIT, Associação Comercial e Industrial das Taipas, é um acto de fragmentação e só a união pode dar força reivindicativa e capacidade de influenciar as decisões que interessam verdadeiramente aos empresários. Sendo um presente envenenado, a criação da ACIT não serve aqueles em nome dos quais nasceu.

Dou de barato o argumento da insatisfação dos empresários das Taipas relativamente à ACIG. De igual modo, não contesto as justificações da associação para esse mesmo descontentamento. Provavelmente, ambas as partes têm responsabilidades na situação de que se queixam.

O que eu sei é que quanto mais pequena for uma associação, mais frágil se revela, mais dificuldades enfrenta e mais incerto será o seu futuro. Sei eu e sabem os empresários.

Ora se eles sabem, então cabe perguntar o que esperam de uma estrutura ainda mais fraca do que aquela de onde derivam?
Por razões profissionais, liderei algumas acções promovidas pela ACIG em defesa dos interesses dos industriais do concelho.

Havia que esclarecer, havia que mobilizar, havia que reunir. Pois apesar da espada que pairava sobre as suas cabeças, muitos deles declinaram o convite, frustrando as expectativas quanto à participação. Alguns dos faltosos, sei eu, são dos que passam a vida a protestar contra a invasão dos produtos chineses ou contra a concorrência desleal dos empresários instalados noutros concelhos onde, por exemplo, o sistema de recolha e tratamento dos esgotos industriais tem tarifa mais benevolente…

Temo que desgostosos com o que classificam de passividade da ACIG, com ou sem razão, os empresários das Taipas não medissem todas as consequências do passo que deram na passadeira estendida pela Junta. Mais cedo do que tarde vão-se aperceber que a sua voz é mais fraca do que era antes, o seu campo de manobra em vez de alargar ficou mais estreito, o seu raio de acção passou a ser mais curto do que já foi, e, por consequência, não melhoraram os negócios, não beneficiam de mais programas de apoio.

Ao contrário do que alguns já vão dizendo antecipando a desilusão próxima, desculpando-se e defendendo os culpados da operação, as coisas vão piorar. As Taipas deram mais um passo num conflito que serve um projecto político avesso à lógica dominante. Por muito que isso custe aceitar, a verdade é que a maioria dos empresários envolvidos nessa acção separatista foram seduzidos e vão ser abandonados quando não fizerem falta.

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