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  POLÍTICA   O III&D e o Avepark
Quarta-feira, Dezembro 6, 2006

Finalmente ficamos a saber, há cerca de 2 semanas atrás, que o Instituto Ibérico de Investigação & Desenvolvimento (III&D) ficará instalado no concelho de Braga.

Obviamente, sempre fui a favor da sua instalação no Avepark e sempre tive a leve esperança de que tal se viesse a concretizar, não obstante não ignorar o peso político e as “influências” do Eng.º Mesquita Machado.

A escolha de Braga é, quanto a mim, incompreensível e irracional. Rejeitou-se um local já apto, em termos de espaço e infra-estruturas, para receber um equipamento deste género, em benefício de um outro que não tem as infra-estruturas necessárias, o que, naturalmente, se traduzirá numa duplicação de custos.

Ao que parece, o Instituto Ibérico ficará instalado no local actualmente ocupado pela “Bracalândia”. Julgo que pior também não seria possível. Na verdade, para além de se situar praticamente no centro da cidade, é um espaço pequeno onde não será possível instalar, a médio e longo prazo, e como seria desejável, centros de investigação e de desenvolvimento de empresas, universidades e instituições.

Entendo, tal como afirmaram os dirigentes do PSD de Guimarães, que se trata de uma opção despesista. Todavia, já não posso concordar com as afirmações de que isto significa o fim do Avepark e constitui o seu “assassinato”. São afirmações muito infelizes e irresponsáveis. O que pretende o PSD com estas declarações? Assassinar um projecto que poderá trazer grandes benefícios económicos, sociais e culturais para a nossa região, só pelo facto de não serem da sua autoria? Tenho consideração pessoal em relação a alguns membros do PSD de Guimarães, mas penso que desta vez, e com este triste espectáculo, caíram no ridículo.

Sejamos claros. O Avepark foi criado muito antes de se falar no III&D e, como tal, nunca isto poderá representar o fim ou influenciar negativamente este projecto. O Avepark não depende, nem nunca dependeu do III&D.

O Avepark está vivo e bem vivo. Há poucos meses atrás foi anunciada a instalação, neste parque tecnológico, do Instituto Europeu de Excelência de Engenharia de Tecidos e Medicina Regenerativa (o único deste género na Europa) e, mais recentemente, tomamos conhecimento de que também viria para o Avepark o I3N – Instituto de Nanotecnologias, Nanomodelação e Nanofabricação (uma cooperação entre as Universidades do Minho, Aveiro e Nova de Lisboa).
A par destas boas notícias, vamos tendo também conhecimento de algumas empresas de base tecnológica que se preparam para adquirir terrenos na zona do Avepark.
E não olvidemos as palavras do Prof. Emídio Gomes, em reunião da Câmara Municipal de Guimarães, quando referiu que o Avepark terá um “efeito indutor” na economia de toda a nossa região.

Duas palavras para a posição e actuação da Junta de Freguesia de Caldelas em todo este processo: inexistente e, por isso, preocupante. Antes da tomada de decisão, a Junta de Freguesia remeteu-se ao silêncio (e lembro-me de, por mais do que uma vez, ter alertado o executivo para a sua passividade e letargia). Depois da tomada de decisão, e perante as declarações do PSD de Guimarães na tentativa de “assassinato” do Avepark, mais uma vez a Junta de Freguesia não reage, o que demonstra que estará de acordo com aquelas afirmações. Mau de mais para ser verdade! É esta a defesa que a Junta faz dos interesses dos da vila e dos taipenses?

Por fim, uma nota para alguns movimentos cívicos da vila que são capazes de organizar manifestações de rua para exigir rotundas e semáforos e protestar contra a Câmara Municipal e que, nesta problemática, se esconderam na toca…

P.S. – A propósito, eu não trocava a Capital Europeia da Cultura pelo III&D. E, já agora, não será possível trazer a “Bracalândia” para o concelho de Guimarães?

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