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  POLÍTICA   Quando chega o Outono…
Quinta-feira, Novembro 2, 2006

Quando se chega ao Outono de cada ano, fala-se no ano seguinte. Em 2006, planeia-se 2007. E num assomo intrinsecamente cristão, acreditámos que 2007 será melhor que 2006 – o eterno retorno da esperança. Cremos, assim, que existe uma união sagrada entre o Homem e a Esperança. Cremos que é proibido separar o que Deus uniu. Cremos que a violação destes imperativos constitui pecado grave. Por isso só temos que concluir que o Governo da República está a pecar.

O Primeiro Ministro que, em campanha eleitoral, alimentou a esperança deste povo, prometendo não aumentar aos impostos tendo sido, inclusive, uma acérrimo adversário da elevação da taxa do IVA de 17% para 19%; não introduzir portagens nas SCUTS; não aumentar as taxas moderadoras; não reduzir direitos aos desempregados; criar empregos; sustentar o crescimento económico nos 3%; atrair investimento estrangeiro preservando o existente, construir mais escolas, mais hospitais, mais centros de saúde; de que havia vida para além do défice. A esperança já tinha nome – José Sócrates. Os Portugueses votaram, em maioria, na esperança.

Essa esperança tinha todo o sentido pois:
A electricidade é a mais cara da Europa; A gasolina, o gás e o gasóleo são os mais caros da Europa. Os automóveis são os mais caros da Europa. As auto-estradas são as mais caras da Europa. A Internet e o telefone fixo é o mais caro da Europa.

Apesar disso:
O IVA passou para 21%; as SCUTS vão ter portagens; vão ser criadas novas taxas moderadoras; os desempregados têm novas regras mais restritivas; o desemprego mantém-se elevado com ligeira descida que se deve ao surto de emigração recente; o crescimento económico está na metade do prometido; as escolas fecham; as urgências e as maternidades fecham.

O Orçamento de Estado para 2007 continua na senda de que “não há vida para além do défice” – outro pecado de Sócrates que o havia negado três vezes. (Simão Pedro estava avisado; Sócrates também).

Prefigura-se, para 2007, um aumento estúpido da electricidade; um aumento dos combustíveis (gasolina, gás e gasóleo) pela actualização do ISP; aumento, sempre acima dos valores da inflação, das portagens das auto estradas; e um anunciado monopólio nas telecomunicações (OPA da Sonaecom à PT) que augura nada de bom para os preços. Todos eles constituem factores importantes de produção de todo o tipo de bens e serviços cujo agravamento põe mais uma vez em causa a competitividade do país.
Um país que não seja competitivo no espaço europeu e mundial não tem esperança.
A esperança deste povo consagrado ao divino está a definhar. O pecado capital está em retirar-lhe aquilo que nunca se pode perder apesar de ser a última a morrer. Não separe Sócrates o que Deus uniu.