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  POLÍTICA   Há bananas na Madeira
Quarta-feira, Setembro 6, 2006

Pessoa amiga, da Região Autónoma da Madeira, confidenciou-me algo de inacreditável em tempos de secura orçamental.

Diz esse ilhéu que o Governo Regional, liderado por Alberto João Jardim, do PSD, propõe que os contribuintes, isto é, todos nós, financiem os dois principais clubes madeirenses de futebol.

No momento em que escrevo, o fogo que lavra no Chão da Lagoa, onde o PSD/Madeira costuma armar barraca, está por circunscrever, com toda a oposição regional, em coro, a expressar a sua indignação pelo discurso patético do dr. Jardim. Mas a oposição ainda não se fez ouvir acerca da proposta de lei de Orçamento da Região Autónoma da Madeira que prevê uma verba de mais de 3% em ajudas aos dois principais clubes de futebol da Região: o Marítimo e o Nacional.

Mas o desplante do PSD/Madeira não se fica por aqui. A mesma proposta revela a intenção de oferecer uma verba de mais de um milhão de euros para o «Notícias da Madeira», jornal conhecido pelo seu seguidismo e pela bajulação aos actos do Governo Regional e da maioria que o sustenta.

É preciso ter lata. Anda o Governo do engenheiro Sócrates a fustigar quem trabalha, sacando o mais que pode em impostos para reequilibrar o orçamento de Estado e eis que na Madeira alguém manda bugiar o esforço e o sacrifício, gastando à grande e à francesa indiferente à austeridade decretada em nome do défice. O pior é que o próprio João Jardim não se conforma com a quota-parte de sacrifício que em nome da solidariedade nacional e do combate ao despesismo está a ser aplicada às autarquias, dos municípios às freguesias e obviamente às regiões autónomas.

Resta observar como se vão comportar nesta matéria o primeiro-ministro e o presidente da república. Se vão fechar os olhos a mais este desmando do senhor da Madeira ou se vão agir em conformidade com a crise que apregoam. Mas também há que estar atento ao PSD, nacional e local. Porque há procedimentos políticos que as vitórias eleitorais não justificam. Mais a mais quando a vila é atingida no seu desenvolvimento pela falta de obras pagas pelo orçamento municipal. Eu sempre desconfiei que não há moralidade, logo não comem todos…

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