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Há que distrair o povo…
Terça-feira, Agosto 1, 2006

Contudo, os Portugueses têm ainda a particularidade de mais uma distracção de borla- a «EDUCAÇÃO».

Em época de balanço, há que reflectir sobre os pontos altos e baixos de mais um ano escolar cheio de sobressaltos provocados por uma ministra que adora fazer “braço de ferro” com os professores, assim desviando as atenções do que está a afligir os Portugueses, no momento. Veja-se o preço dos combustíveis que nunca esteve tão alto, que leva à subida dos preços e da inflação em flecha! Os professores estiveram mais uma vez nas manchetes dos jornais e, como de costume, levaram bordoada de todos: pais/ encarregados de educação, alunos, ministra e, principalmente, dos normativos que o ministério emana.

O nosso “Líbano” particular foi-se, pois, gerando à volta da educação e o seu culminar, por agora, deu-se com a grande crise lançada pelos exames nacionais.

Assisti às explicações da senhora ministra e fiquei a perceber o mesmo, mas não creio que muita gente tenha percebido o que quer que fosse. E questiono-me sobre a razão por que os senhores professores universitários, responsáveis pela elaboração das provas de exame, podem estar acima de toda a crítica, quando nós, professores do dia a dia, trabalhadores no terreno, que procuramos inculcar nos nossos jovens o desejo de saber, a motivação para o estudo, a ambição de tirar um curso (para que venham a engrossar as filas do desemprego?) somos achincalhados quotidianamente, vemos a nossa profissão a ser arrastada pela lama sem nada podermos fazer. Neste momento, estamos atados de pés e mãos. Limitamo-nos a andar num círculo vicioso e embarcámos nesse carrossel maluco e descontrolado que teima em nos fazer crer que a culpa é nossa. Nós somos os culpados da crise financeira do país, nós somos os culpados do estado em que está a educação, nós até devemos ser os culpados da guerra no Líbano…

Quando um aluno tem uma baixa auto-estima, cabe-nos a nós, educadores, estimulá-lo, dar-lhe a mão, procurar que recupere a confiança em si próprio e que se abalance, se exponha, a novas situações que o ponham à prova, que o levem a ultrapassar as dificuldades experimentadas. Sabemos que comentar negativamente a performance de um aluno só o vai enterrar mais. É por isso, imprescindível, que nos agarremos às suas qualidades e virtudes, que as elogiemos para que o positivo se sobreponha ao negativo.

Com a classe docente, faz-se exactamente o contrário. Já estamos tão habituados a “levar pancada” que já não reagimos. Basta ver o que fizeram os sindicatos no presente ano. Bem se sabe que a Comunicação Social não lhes reconhece visibilidade e que as forças patronais muito menos, mas… Alto! Aparecem agora na televisão a dizer que pelos vistos há problemas com as listas dos professores saídas em Junho. Se assim for, pode esperar-se um início de ano atribulado, mais um, para fazer companhia a tantos outros. Não creio que leve a nada, porque a nossa patroa vai arranjar maneira para explicar novas irregularidades que possam surgir. É especialista nesse campo… A senhora ministra teve e tem o dom de “anestesiar” a classe que se limita a esperar o “tufão” que vem a seguir sem protestos, sem grandes crises. Já estamos com a auto-estima tão em baixo que mais do mesmo não faz diferença. No dia em que começarem a falar bem dos professores (e, por incrível que pareça, já se vão ouvindo algumas vozes embora isoladas), reformulo, no dia em que a classe política deste país reconhecer que o país está como está (e não me refiro apenas à educação!) por causa dos políticos, uma vez que a cor que nos governa é que manda e tudo se muda e a nada é dado continuidade, a nada nem a ninguém se fazem avaliações,… então, nesse dia, ouviremos gritar a plenos pulmões que a classe docente , o saco que alguns têm socado a seu belo prazer só pelo gosto de darem socos sem saberem a quem nem onde nem como, é que tem segurado o Sistema Educativo Português da derrocada final, embora muitos reconheçam que tal sistema nem sequer existe. A esses qualquer coisa serve para distrair o povo, senão vejamos:

1-A Gripe das Aves! Então, agora que ela chegou a Espanha já ninguém fala dela? Ninguém se alarma? Alguém protesta por comer frango, pato ou peru ao almoço ou ao jantar?

2-Veio o Mundial, o futebol, o ópio do povo. As bandeiras multiplicaram-se nas janelas e nas varandas. O patriotismo invadiu-nos ou o “nacionalismo” como fomos acusados de incentivar. Cuidado com as confusões. Não creio que a U.E. possa ambicionar que as pessoas esqueçam as suas raízes, os seus costumes, a sua língua, a sua cultura. Se assim for, talvez seja o caso de mandar a U.E. para as urtigas… Este assunto dava pano para mangas. É melhor seguir em frente.

3-Os exames nacionais. Os exames foram difíceis, porque não estavam aferidos para os conhecimentos? Aqui, a culpa morreu solteira, porque a senhora ministra disse estar tudo bem, até porque a “repetição” inexplicável de dois exames, cuja razão escapa à compreensão geral, continua … inexplicável. Boatos correm…
4-A guerra no Líbano e o aumento dos combustíveis. O Noticiário começa sempre com imagens da guerra em directo ou em diferido, com refugiados, etc, etc…

Querem mais elementos distractores? Abram os jornais ou vejam televisão. É que o principal distractor deste país, depois do futebol , é a educação. Sempre que alguma coisa está mesmo mal, aparecem os funcionários públicos na ribalta, neste caso até lhes interessa que sejamos da classe, e/ ou o ensino em Portugal. Isso mesmo, em itálico, porque se trabalha para que haja sucesso escolar em Portugal ( a U.E. assim exige!), mas onde está o sucesso educativo?
Deixo a questão como tema de reflexão nas próximas férias e, se por algum acaso, um político se interessar pela leitura de tão simples crónica, aconselho-o a pôr os neurónios a funcionar, a fazer política (que é para isso que todos nós, contribuintes, lhe estamos a pagar!) e a tentar colocar um ponto final nesta barafunda em que poucos sabem para onde vão.

Boas Férias, com muito sol e calor q.b. Com as vagas de calor que nos têm atingido, os problemas climatéricos tornam-se cada vez mais prementes pelas catástrofes que provocam: cheias, inundações, tornados, furacões, tsunamis, terramotos, maremotos… é só escolher. Mas isto já é tema para uma outra conversa.

Agora… Não pense em desastres de nenhuma espécie. Pense positivo… Descanse… e faça como os romanos, sem exageros e com regras. E, se for mulher, numa sociedade democrática onde os direitos são iguais, mude o segundo nome para o masculino.

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