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  POLÍTICA   Obras e Festas
Terça-feira, Agosto 1, 2006

Há dias, na Assembleia Municipal, o presidente da Câmara em exercício expressou publicamente as preocupações oficiais quanto ao estado de saúde das finanças, justificando assim o adiamento de obras e o alongamento dos prazos de liquidação de facturas.

A Câmara está a passar um mau bocado, financeiramente falando.

Os constrangimentos impostos pelo governo no acesso ao crédito bancário, impedem que a câmara compense por essa via as perdas causadas pela diminuição dos impostos e taxas. As consequências desta situação complexa na tesouraria são evidentes e dispensam grandes explicações. O que foi dito pelo vice-presidente, que detém o pelouro das finanças, só pode surpreender os distraídos ou os imbecis.

Aliás, o que acontece era previsível, como previsível é o seu agravamento.

Diz a câmara que as freguesias terão de aguentar dois anos por obras novas, tempo necessário, dizem, para reequilibrar o orçamento, para recuperar o fôlego de antes.

A câmara tem a faca e o queijo na mão. De acordo com o nosso ordenamento administrativo, os orçamentos das freguesias dependem substancialmente do orçamento municipal. Tendo em linha de conta as palavras e mais do que as palavras a opção da câmara de Guimarães, as freguesias têm de deitar contas à vida, gerindo com parcimónia os parcos recursos ao seu dispor.

Os romanos ensinaram-nos muitas coisas e legaram-nos um património de ideias valioso, além do direito.

Diziam eles que para manter o povo tranquilo há que oferecer pão e circo em doses equilibradas. Tanto ocorriam conflitos em caso de haver muito pão e pouco circo, como em caso de haver muito circo e pouco pão.

Lembrei-me disto quando recebi e li o texto sobre a actividade da Junta de Freguesia de Caldelas.

Mais cedo do que tarde a embriaguês da festa vai passar e então se perceberá que há momentos em que calado se diz muito.