POLÍTICA Novamente Timor
Quinta-feira, Junho 1, 2006

 POLÍTICA

Mortos, insegurança e intranquilidade, populações deslocadas e em fuga para lugares tidos por mais seguros, civis (ou como tal considerados) empunhando armas artesanais e em fúria, casas assaltadas e propriedade incendiada, eis o retrato de Timor que regressou às televisões e às primeiras páginas dos jornais.

Há uma mão cheia de explicações para a barbárie.

Desde as questões de ordem tribal, com os timorenses do oeste contra os timorenses do leste, até às desilusões dos que esperaram da independência mais do que a independência podia oferecer.

Há o desemprego e a desmobilização dos militares, muitos deles antigos guerrilheiros cujo sacrifício pela liberdade e pela independência não se questiona, mas não pode ser invocada para caucionar um presente que ofende e nega o passado.

Além disso há o caso de um presidente da república que o é a contra-gosto e gostava de ser o fotógrafo que não lhe deixam ser, remetendo-o para cargo que desempenha sem chama nem empenhamento, pelo menos sem a chama e o empenhamento que os que o empurraram dele esperavam. Por isso, Xanana Gusmão estará em perda de prestígio e influência.

Depois temos um primeiro-ministro, muçulmano e comunista, segundo o major revoltoso da polícia, cuja personalidade foi completamente arrasada pela professora portuguesa que o acompanhou e fez luz sobre o seu comportamento negligente e sorna enquanto responsável por uma base naval. Factos que aliás lhe custaram o lugar…

Depois temos uma igreja católica que, como os factos recentes o demonstraram sobejamente, se arroga o privilégio de interferir na vida política, ombreando com o governo legítimo e legitimado.

E, finalmente, há petróleo em Timor, com o governo a obrigar os exploradores interessados a um contrato considerado exemplar sob o ponto de vista da transparência do negócio e seus desenvolvimentos.

Ou seja, aos primeiros condimentos descritos, junta-se o petróleo e onde há petróleo ou há corrupção ou há guerra. Basta olhar o planisfério e assinalar onde há guerras ou ameaças dela. O resto são manobras de diversão para iludir incautos…