POLÍTICA Comportamentos políticos
Quinta-feira, Junho 1, 2006

Continuamos a assistir a uma vergonhosa promiscuidade, falta de seriedade e falta de sentido ético por parte de alguns políticos. E é sobretudo ao nível local, nomeadamente nas câmaras municipais e juntas de freguesia, que acontecem as situações mais inacreditáveis e descaradas.

De imediato, virá ao pensamento do leitor, por exemplo, o caso caricatural do actual presidente da Junta de Caldelas que, no anterior mandato, votava e assinava pareceres a projectos elaborados pelo seu próprio gabinete de arquitectura.

Sim, isso é grave, mas mais grave ainda foi a justificação apresentada. Subestimando a inteligência dos taipenses afirmou que não via onde estava o problema e que não estava a cometer qualquer ilegalidade. Prometeu até que continuaria, em futuros mandatos, a adoptar o mesmo tipo de comportamento.

Este é apenas um exemplo dos muitos que, infelizmente, ainda encontramos pelo nosso país fora, de políticos que vivem do “chico-espertismo”, dos compadrios, da corrupção, do favorecimento pessoal próprio e da falta de seriedade.

Todos conhecemos casos de obras entregues a empreiteiros amigos e com quem até existe uma relação de dependência económica; conhecemos as trocas de favores, servindo os poderes públicos de moeda de troca; conhecemos os apoios financeiros e logísticos, discriminatórios, a determinadas empresas privadas, cujos sócios, por vezes, são familiares, amigos ou companheiros de partido.

Tudo isto é feito com dinheiros e poderes públicos que deveriam estar ao serviço de toda a população e não apenas de alguns poucos, criando desigualdades e discriminações inaceitáveis com que, decerto, aqueles que estão na cadeira do poder retirarão benefícios pessoais.

É um verdadeiro regabofe, de conhecimento público, que passa impune e sem despertar a mínima indignação ou perturbação do comum eleitor, que apenas se preocupa com o seu emprego e a sua vida particular, descurando assim a vida pública, não defendendo convenientemente os seus direitos.

Estamos ainda numa fase de pré-desenvolvimento e pré-criação de uma sociedade verdadeiramente civilizada, livre, justa, igualitária e com políticos sérios que se preocupem mais em defender e promover o desenvolvimento económico, social e cultural das suas populações.

Os políticos, nacionais e locais, devem sempre ter presente que foram eleitos pelo povo e para o servir, e não para servir interesses pessoais ou de amigos.