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“Mudança”
Quarta-feira, Março 2, 2005

Dessa oportunidade, que não deixa de ser um dever (já foi slogan que ”votar é a arma do povo”), os eleitores portugueses (comigo incluído), manifestaram inequivocamente a sua vontade de MUDANÇA. Convém lembrar que o difícil não foi ganhar. O difícil vai ser governar, pois tudo aponta no sentido que os próximos tempos não vão ser “um mar de rosas”. Vejamos alguns exemplos:
– O desemprego, no mês de Janeiro, “bateu à porta” de cerca de 480 mil pessoas;
– Foram identificados 68 concelhos, localizados principalmente nas regiões de Trás-os-Montes, Dão-Lafões e Baixo Alentejo, que correm sério risco de “morte social”;
– Uma deficiente relação, principalmente na região Centro e Alto Alentejo, entre pensionistas e empregados;
– O elevado abandono escolar e trabalho desqualificado, como em quase todos os concelhos do Vale do Ave, o que pode denunciar um problema de trabalho infantil;
– etc.
Como vemos, o mal é tanto e em tanto lado, que o mais difícil para este governo será definir prioridades. Por isso mesmo, só temos que confiar que o novo primeiro-ministro, Eng. José Sócrates, não vai vacilar nem pestanejar, e que vai “cortar a direito” no que é prioritário fazer para que o país recupere e saia desta crise em que se encontra. Para mim a primeira prioridade poderia passar pela aplicação de políticas sociais eficazes. Como “ferramentas”, e a ser verdade (à data da redacção deste artigo, 24 de Fevereiro de 2005) com os nomes apontados como prováveis Ministros (o Governo de «salvação nacional», como sugere o Dr. Mário Soares), só temos que acreditar que vamos, de facto, mudar para melhor.
Já o disse e volto a dizer: “Tão ou mais importante do que o que o Estado pode fazer por nós, é o que nós podemos fazer pelo Estado”. Neste momento, e já que estamos numa época de declaração fiscal, vamos combater (no meu caso continuar a combater) a evasão fiscal.

Pê éSses finais:
O facto do Partido Socialista continuar a vencer na Freguesia de Caldelas, só demonstra que o povo não anda a dormir e sabe perfeitamente aquilo que quer.
Fui alertado pelo Presidente do Clube de Caça do Vale do Ave que estamos a viver dentro de um “barril de pólvora”. Esta certeza, segundo o Presidente, resulta das regulares visitas que ele e outros membros do Clube realizam aos terrenos envolventes, nos quais continuam a verificar que a floresta está e/ou continua ao abandono e sem limpeza. Como é óbvio, fiquei preocupado.
Conhecemos os alertas televisivos que recomendam um ordenamento florestal correcto. O problema é que Portugal normalmente está à frente dos restantes países comunitários no que toca à criação de Legislação, mas também é quase sempre o primeiro a não cumprir essa mesma legislação, o que implica que também não exista fiscalização.
Convém lembrar que o período de “seca” que estamos a atravessar não é a origem do problema mas sim uma parte desse problema.

pauloix@clix.pt

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