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Só o amor liberta
Quarta-feira, Outubro 12, 2016

Quem não ama fecha-se na prisão da sua frieza ou desprezo, ressentimento ou raiva, ódio ou vingança… Tudo o que não é amor nos sequestra de nós mesmos, da nossa identidade mais profunda. Não amar é desidentificar-se, ser menos do que se é, adulterar a própria fonte donde nascemos; não amar é transformar a mais revigorante das vitaminas num veneno altamente perigoso. Não é verdade que, quando deixamos entrar dentro de nós sentimentos , de desamor ou ira, ficamos alterados, a ponto de nem parecermos a mesma pessoa? O ódio muda a nossa personalidade, torna-nos outros, imensamente piores…

Sabem qual é o “campo de concentração” mais terrível de toda a história da humanidade? Pior ainda que os inventados pelo nazismo ou pelo comunismo, ou por qualquer impiedosa ditadura de direita ou de esquerda, nalgum dos continentes do planeta Terra? O pior de sempre é o Campo de Concentração do Egoísmo, déspota tirano que ainda hoje aprisiona pessoas sem conta, em desumana e anti-divina escravatura, com as “luvas brancas” das aparências de qualquer tipo de libertinagem enganosa. É, pois, necessário libertar a liberdade de tudo o que não é Amor. Como recorda o apóstolo Paulo: «Vós, irmãos, fostes chamados à liberdade; mas não façais desta liberdade um pretexto para viver segundo a carne, mas servi-vos uns aos outros pela caridade, porque toda a Lei se encerra num só preceito: Amarás o teu próximo como a ti mesmo» (Gl 5, 13-14).

Só quem ama é verdadeiramente livre. O Amor é o único caminho para chegar à liberdade plena, Os outros caminhos não passam de becos sem saída. Por vezes, dão a aparência de ser auto-estradas de luxo, mas não nos conduzem para a meta da verdadeira felicidade. Santo Agostinho, que conheceu tanto a ilusória como a genuína liberdade, assim se exprime magistralmente: «Uma vez por todas, te é dado este breve preceito: Ama e faz o que quiseres. Se te calas, cala-te por amor; se falas, fala por amor; se corriges, corrige por amor; se perdoas, perdoa por amor. Tem no fundo do teu coração a raiz do amor: desta raiz não pode sair nada senão o bem».

Um modo certo de verificar se uma nossa amizade é “como Deus manda”, é examinar se nessa relação se respira o oxigénio da liberdade. Ora, «Amar é querer eficazmente o bem para alguém», segundo recorda o Santo Doutor Tomás de Aquino. Faz parte fundamental deste “querer eficazmente o bem” a um amigo, o dar-lhe toda a liberdade possível, pois só na liberdade se pode amar. Um robot perfeitíssimo, fruto da mais avançada tecnologia, nunca poderá amar, porque desconhece o que é a liberdade. Por isso Alonso justamente observou que «o amigo nunca é, propriamente falando, um campo de aterragem e, muito menos ainda, campo de concentração, mas rampa de lançamento, pista de voo e impulso vital de ascensão».

Dar vivas à liberdade é festejar o Amor. É que «o amor é o cerne da nossa liberdade», como afirma François Varillon. Em amorosa anarquia, exclamemos: – O Amor ao poder! Ama e faz tudo quanto queiras!

Padre