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“Curtir Ciência” é a designação do novo Centro Ciência Viva, inaugurado em Guimarães
Quinta-feira, Dezembro 17, 2015

Sete anos após um impulso inicial de um grupo de cinco professores da Universidade do Minho o Centro Ciência Viva é hoje uma realidade. “Curtir Ciência” é um novo espaço requalificado na zona de Couros, em Guimarães.

Foi inaugurado na tarde de quinta-feira, 17 de Dezembro, o vigésimo Centro Ciência Viva em Portugal, que ficará a partir de agora instalado nas antigas instalações da Fábrica Âncora, na Zona de Couros. A cerimónia protocolar e a primeira visita a este equipamento dedicado à divulgação do conhecimento e da ciência, contou com a presença Fernanda Rollo, Secretária de Estado da Ciência Tecnologia e Ensino Superior.

Para a governante o dia de inauguração do espaço em Guimarães é “um dia histórico”. O sucesso da concretização do projecto do Centro Ciência Viva está baseada na forma como foi possível juntar “os parceiros certos”. Para a secretária de estado do novo ministério liderado por Manuel Heitor, “são raras as vezes que temos autarquias que lavam tão a sério e tão afirmativamente o respeito pelo nosso património”.

Fernanda Rollo demonstrou a sua particular sensibilidade pelo espaço da antiga fábrica Âncora, por ser historiadora e investigadora em matérias como a história económica – “o espaço onde estamos é uma síntese deslumbrante ao nível da preservação deste património”, começou por referir, alertando para a necessidade de haver consciência para a forma como espaços carregados de história conseguem inovar e manter uma presença e uma identidade ao longo dos séculos.

Na mesma altura em que se inaugurava o novo equipamento de que Guimarães passa a estar dotada, era lançado online o site do “Curtir Ciência”. A designação recupera a pré-existência daquele edifício e o imaginário do tratamento das peles. Os vários espaços das instalações da histórica fábrica Âncora foram requalificados e a exposição está organizada em vários módulos temáticos, que passam pela robótica, pela domótica e pela valorização ambiental, através das ciências do ambiente.

A questão ambiental e o desiderato da nomeação da cidade como Capital Verde Europeia, em 2020, foi um dos aspectos que o presidente da Câmara Municipal de Guimarães, Domingos Bragança, focou ao longo da sua intervenção. Para o autarca vimaranense, a intervenção não está ainda concluída, faltando instalar alguns módulos – “eu gostava de incluir uma valência que considero ser necessária, para que o centro fique completo, um módulo dedicado à sustentabilidade ambiental e que vá de encontro ao desígnio da Capital Verde Europeia”, disse o presidente da Câmara.

Domingos Bragança, defendeu ainda a ideia da classificação da Zona de Couros. O centro representa “um importante contributo” para um plano mais alargado que a autarquia tem para esta zona. O autarca lembrou a ambição de apresentar esta área da cidade de Guimarães à UNESCO, para que seja classificada como Património da Humanidade.

UMA IDEIA QUE LEVOU OITO ANOS A CONCRETIZAR
Coube a António Pousada, coordenador da instalação do Centro Ciência Viva em Guimarães, dar início ao protocolo e de fazer uma síntese de todo o processo de instalação do Centro Ciência Viva em Guimarães, realidade que necessitou de sete anos para se concretizar.

O processo de criação do centro iniciou-se em 2007, aquando da realização de um conjunto de encontros, então designados Ciência na Cidade. Estes encontros foram uma das primeiras manifestações da colaboração entre a Câmara Municipal de Guimarães e a Universidade do Minho.

O trabalho conjunto desenvolvido pelas duas instituições, no envolvimento da população do concelho em matérias relacionadas com a ciência e tecnologia e as suas implicações na sociedade, foi reconhecido pelo então Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Mariano Gago.

Naquele ano de 2007, em Maio, foi levantada a ideia de criação de um centro Ciência Viva em Guimarães, suscitada por um grupo de cinco professores da Universidade do Minho. Na mesma altura eram dados os primeiros passos na intenção da autarquia para requalificar toda a Zona de Couros.

Na mesma altura, era iniciada a requalificação das instalações da Fábrica Âncora, com o apoio de fundos comunitários, edifício que serviria para albergar o Centro Ciência Viva e já com a participação da Agência Nacional Ciência Viva, que se envolveu também no processo. A abertura do centro chegou a estar prevista para Junho de 2011.

A adaptação do espaço para o fim para estava a ser reprogramado constituiu uma dificuldade acrescida, dadas as características muito particulares da construção da antiga fábrica. Estes obstáculos fizeram com que o projecto fizesse uma pausa. Em Março de 2012, o actual Reitor da UM decidiu alavancar de novo o projecto, em conjunto com a autarquia e as suas equipas técnicas.