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Já discutimos a ligação ao AvePark?
Quinta-feira, Maio 28, 2015

Umas largas dezenas de partilhas nas redes sociais e umas centenas comentários acerca de uma publicação humorística feita, no início desta semana, no site Free Pass Guimarães acerca do Ave Park – em que se ironizava sobre a possibilidade de o acesso ao parque tecnológico ser feito logo a partir do largo da Oliveira em viaduto –, vieram mostrar duas coisas. A primeira é que há muita gente (a começar pelos políticos locais) com muito pouco sentido de humor. A segunda é que o longo debate sobre a via de acesso ao, apesar de ter amainado nas últimas semanas, está longe de ter terminado.

Percebe-se por muitos dos comentários que fui lendo que há ainda muita gente pouco convencida, desde logo, da necessidade de fazer este acesso e, ainda menos, da solução prevista em PDM. De resto, é a própria autarquia quem mostra que o debate dos últimos meses a fez, pelo menos, rever as suas convicções, quando abre a porta a uma nova alternativa de traçado da via de acesso ao Ave Park, que inclua o parque industrial de Ponte. Ou seja, a discussão está ainda para durar.

Pessoalmente, não estou ainda convencido dos argumentos usados para desqualificar aquela que, desde a primeira hora, me parece a solução mais eficaz: o acesso directo à auto-estrada pela margem Norte do Ave, criando uma nova saída de portagem em Brito. Convém recordar que esta era uma solução prevista desde os primeiros tempos do projecto da A11 e que só foi descartada (numa decisão para a qual, apesar dos esforços feitos, não encontro justificações) muito perto do início da empreitada. Aliás, basta passar naquela via para ver o piso pintado na zona da hipotética saída e os efeitos movimentos de terra feitos, logo a seguir ao viaduto sobre o rio, para criar a praça de portagem. O que falhou nessa altura? E por que não há agora referências aos estudos então feitos?

É o próprio relatório de avaliação que elogia alguns dos méritos desta solução: é a mais curta (cerca de 7 quilómetros), não tem grandes imprevisibilidades no traçado proposto e beneficia positivamente Taipas e Ponte. Depois, o documento faz a tentativa de desacreditar a solução. Fala-se dos efeitos negativos para a vila de Brito, mas não se refere que, em Brito, o mal está feito. Quando a A11 foi construída, um pedaço da freguesia ficou irremediavelmente afastado do restante território. Nada que a nova via pudesse fazer seria pior do que isto.

Além disso, é colocada a questão da aceitação por parte do concessionário se afigurar improvável dado decisões similares. O argumento já tinha, aliás, sido ensaiado por José Mendes no primeiro debate da proposta, nas Taipas. Habituado a desconfiar destas simplificações fui investigar. E o que encontrei? Que a abertura de novos nós em auto-estradas não só é um processo simples (desde que haja autorização do governo, a entrada em negociação com o concessionário é obrigatória) como já foi feito mais do que uma vez. Apenas alguns exemplos: um novo nó em Vila Franca de Xira, na A1, foi inaugurado em 2000, em 2005 foi criada uma nova saída da A5, no Estoril, e, no mesmo ano, a câmara do Cartaxo ajudou a financiar um nó de acesso àquele concelho ribatejano. É impossível fazer-se o mesmo por cá?