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“O Futuro de Guimarães” na visão de Domingos Bragança
Segunda-feira, Março 16, 2015

Cidade de referência ambiental, legado histórico a preservar, conhecimento como área potenciadora de criação de riqueza e reindustrialização do concelho são os quatro grandes eixos de orientação para Guimarães nos próximos doze anos

Integrado no programa de aniversário dos 150 anos da Associação Artística Vimaranense (ASMAV), o atual presidente do município de Guimarães deu início ao ciclo de conferências “O Futuro de Guimarães”.

Francisco Teixeira fez uma breve apresentação do aniversário da associação a que preside e passou rapidamente a palavra a Domingos Bragança. Este, antes de apresentar a sua visão para Guimarães, fez questão de frisar que lidera um projeto coletivo e que o seu sucesso só será possível “com a envolvência dos vimaranenses”. Elencou quatro grandes áreas de intervenção para Guimarães, fazendo sempre questão de referir que quando falava de Guimarães estava a pensar em todo o seu território e não somente na cidade.

Capital Verde Europeia e academia de ginástica em edifício “carbono zero”
A primeira grande aposta que referenciou foi o desígnio a alcançar em 2020, o atributo de Capital Verde Europeia: “Mesmo sendo o caminho nesse sentido o mais importante, pretendo que Guimarães se torne uma referência ambiental”. O presidente da Câmara referiu-se à despoluição das linhas de águas, a uma mudança cívica dos cidadãos e avançou com um edifício de “carbono zero”, para uma academia de ginástica, a ser construído junto dos terrenos da quinta do Outeiro, concomitante à escola Santos Simões. Aqui passará a nova ecovia, que terá continuidade para o parque da cidade, prolongando-se para Pevidém, Silvares, Ronfe e Taipas.

Alargar a área “Património Cultural da Humanidade” e Conselho Consultivo para a Casa da Memória
Nesta área recuperou a expressão do seu antecessor quando António Magalhães afirmou que queria o centro das Taipas como “um brinquinho”. Agora, Domingos Bragança quer “manter o centro histórico como um brinco”. Pretende ainda ampliar a sua área para a zona de Couros, referindo-se ao trabalho em curso que culminou, desde já, com a instalação nessa parte da cidade do Centro de Ciência Viva, de uma unidade operacional de governação eletrónica da Universidade da Nações Unidas (UNU) e ainda uma outra da Agência da Modernização Administrativa. Referiu ainda a recuperação em curso do Teatro Jordão e garagem Avenida e de outros espaços industriais devolutos que poderão ser intervencionados.
Uma das novidades foi o anúncio da criação de um Conselho Consultivo para a Casa da Memória que pretende que abra as suas portas ainda durante este ano. Domingos Bragança quer ver envolvidas nesse conselho consultivo todas as associações de referência de Guimarães.

Aposta no conhecimento que leve à criação de riqueza
A educação mereceu destaque na intervenção de Domingos Bragança. Elencou as potencialidades dos 3Bs, da aposta na instalação do Instituto Cidade de Guimarães e do polo do Instituto‬ ‪‎Politécnico‬ do Cávado e do Ave (IPCA).
Deste modo, cruzou este eixo de desenvolvimento com a aposta na reindustrialização do concelho que não poderá ser feita com “indústrias de baixos salários” pois, como acrescentou, “a população jovem não irá procurar, para viver, um concelho onde os salários sejam baixos”.

Intervenção do público
Da parte do público, foram várias as questões colocadas. António Cardoso questionou sobre o tipo de empresas a instalar na cidade. Manuel Ferreira referiu que “não se criam empresas por decreto”. José Pacheco ficou “pasmado” com o “rol de projetos enunciados”, lamentou a “razia” nos estacionamentos na cidade e referiu ainda que “pouca gente vive no centro da cidade”, onde falta um parque de estacionamento subterrâneo. Jorge Estremina questionou sobre os transportes públicos e afirmou que a educação de hoje está orientada “para o dinheiro”. José Cunha questionou como se poderá reverter a quebra da participação cívica. António Alvão referiu-se “à falta de socialismo no país e nas câmaras” e que se vive numa sociedade de competição. José Cardoso questionou onde estava a Capital Verde na intervenção verificada no Toural. José Pacheco afirmou que se “fizeram estruturas culturais a mais com a CEC 2012”. Por fim, Francisco Teixeira falou da desertificação da cidade, do fecho de centros comerciais citadinos, da crise do centro histórico, da fraca aposta nas freguesias fora da cidade e questionou como se conseguiria sustentar todos os equipamentos culturais já abertos e os anunciados.
Domingos Bragança deu resposta a todas estas questões. Defendeu uma visão policêntrica para o concelho e reconheceu que, possivelmente, alguns dos projetos referidos poderão não ser inaugurados por ele, mas que era fundamental que o território de Guimarães tivesse essa visão de futuro.