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”As coisas no seu lugar”
Sexta-feira, Março 13, 2015

Afinal, e tendo em conta que relativamente à via dedicada do AvePark nada está ainda decidido, uma vez que o que existe é a intenção e vontade de se construir uma via dedicada de acesso que permita igualmente uma ligação mais facilitada às Caldas das Taipas e às freguesias a norte do concelho, não se entende que, especialmente, os partidos da direita de Guimarães, PSD e CDS-PP, continuem a fazer uma política de terra queimada, numa clara desconsideração pelos vimaranenses que, não há muito tempo, legitimaram o Partido Socialista para Continuar Guimarães.

Sabe-se que a Câmara aguarda pelo resultado de um “Estudo Crítico”, que encomendou à Universidade do Minho, sobre o espaço canal que consta da proposta de revisão do PDM – Plano Diretor Municipal e validado pelas várias entidades envolvidas no processo. Este documento esteve em discussão pública no início de 2012, durante cerca de dois meses, e sobre o assunto em causa, e que se tenha conhecimento, ninguém contestou!

Mas há mais, esse estudo crítico que a Universidade do Minho está a fazer não se resume só ao referido canal. A Câmara aceita que sejam apresentadas outras alternativas fora dele.

Perante esta disponibilidade, não se pode aceitar que se continue a fazer uma campanha com base em algo que manifestamente ainda ninguém conhece, que não existe, afirmando-se, entre outras coisas, que a proposta da Câmara para a via dedicada ao AvePark terá um perfil de autoestrada; que será um via rápida; que não terá acessos de e para as localidades que atravessará; que terá um custo superior a 30 milhões de euros; etc., etc.

Não é, nem nunca poderá ser, uma forma séria de se “fazer” política!

Sem o resultado do referido estudo critico, o que existe para já é a vontade, legítima, por parte da Câmara de, definitivamente, resolver um “problema” que se arrasta há mais de duas décadas e que, face à importância estratégica do Parque de Ciência e Tecnologia tem não só para Guimarães mas para região e para o país, deveria há muito ter sido assumido pelo Governo central.

Ao contrário da Câmara, que pretende a construção de uma aparente via rápida dedicada que poderá ser uma via urbana e que pode ajudar ao bom desempenho do território, a “solução” preconizada pelo PSD e CDS-PP de transformar uma aparente via urbana, a atual E.N. 101, numa via rápida será sempre um remedeio e uma má solução, que irá dividir e não otimizar.

Termino citando um amigo que sobre esta temática escreveu o seguinte: “Depois, e só depois, chegaremos ao traçado (…) que, (…), também pode e deve ser analisado e debatido, ou talvez explicado (…) quando existir projeto e estudos complementares. Até lá, falar sobre o traçado é falar sobre o que há–de ou poderá ser, mas que ainda não é e pode não ser (existe uma proposta preliminar de um espaço canal) (…) parece extemporâneo e, sobretudo, inibidor de tudo o resto que deve ser analisado e discutido (…) E porque o traçado não é a causa de todos os problemas nem a fonte de todas as soluções, deveríamos colocar “as coisas no seu lugar” e fazer caminho (…) cada um no seu lugar e com a sua visão mas a caminhar (…) para a melhor das soluções seja ela qual for!”.