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“Se há dinheiro público que foi bem gasto, foi nas universidades e na ciência”, Rui Reis
Segunda-feira, Novembro 17, 2014

O cientista, cidadão honorário da cidade de Guimarães, foi o terceiro convidado dos “Colóquios para a Cidade” que têm como tema central os “40 anos de Abril – pontes para o futuro”, sessão que aconteceu a 12 de novembro, nas instalações da Sociedade Martins Sarmento.

Centrando a sua intervenção na realidade dos 3 B’s, Rui Reis falou das dificuldades do que é ter um instituto de investigação de qualidade fora de Lisboa, das conquistas e reconhecimento internacional que este vai tendo. Tudo justificado porque dispõe de um grupo organizado, competitivo e exigente, sendo ele próprio “um teimoso desgraçado”

Marcado pela boa disposição e humor quanto baste, o discurso de Rui Reis mostrou, de uma forma simples, o âmbito de atuação dos 3 B’s (Biomateriais, Biodegradáveis e Biomiméticos), das potencialidades do mesmo e, a outro nível, as dificuldades que atravessa a investigação em Portugal.
Reconheceu o papel da Câmara Municipal de Guimarães na aposta que tem feito no Avepark e deu conta do novo edifício a implementar, o “Instituto Cidade de Guimarães” a nascer ao lado dos 3 B’s.
Numa parte mais científica, Rui Reis referiu que o grande objetivo do instituto que dirige é copiar o melhor engenheiro existente na terra, a natureza. Nesse sentido, falou da mais recente aposta com a utilização de recursos marinhos, que tem permitido a angariação de novos financiamentos para os projetos em curso.
Passou pela colaboração com a clínica do estádio do Dragão, reconhecida pela FIFA como a única da Península Ibérica com o título “FIFA Medical Centre of Excellence”. Fez uma quebra no seu discurso para dar a explicação para a carreira do Vitória de Guimarães: “desde que me tornei sócio do Vitória que este nunca mais perdeu” e referiu que, dos reconhecimentos que foi tendo, o mais relevante foi a “Medalha de Honra do Município de Guimarães”, que lhe conferiu o título de cidadão honorário de Guimarães.
Com informação sustentada deu conta do pouco dinheiro que o estado canaliza para os 3 B’s, entidade que conta com 165 pessoas, de 22 nacionalidades, das quais 70 com doutoramentos: “O estado apoia muito pouco os 3 B’s, no entanto, somos os que mais financiamento consegue do estrangeiro”. A questão dos doutoramentos e a sua empregabilidade foi uma das questões colocadas a Rui Reis. Este referiu que os empresários têm alguma responsabilidade nesta área e defendeu que as universidades têm de fazer um maior esforço para estabelecer protocolos com as empresas.
Lamentou a atual situação dos investigadores nacionais, sem grandes perspetivas de carreira, com baixos salários sendo que, para muitos, a carreira no exterior se torna, cada vez mais, uma opção. Esta realidade preocupa-o pois essas saídas não são fáceis de colmatar.
Reconheceu que não será muito bem visto pelas entidades públicas e pela comunidade científica, talvez por “gostar de tripas à moda do Porto e de ir aos estádios”, acrescentando que são mais valorizados “os que fizeram parte do seu currículo no estrangeiro”. Mas, como se considera “um teimoso desgraçado”, vê sempre a “derrota de hoje, como a vitória de amanhã”.

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