Há regressos para ganhar dinheiro e há regressos para ir embora.
Quarta-feira, Outubro 10, 2012

Quem esteve no passado dia 17 de Agosto no festival Paredes de Coura assistiu àquilo que os próprios classificaram de “encontro geracional”. Os Ornatos Violeta, para muitos a melhor banda portuguesa, quebraram um hiato de 10 anos e regressaram para um conjunto de concerto que marcará o final do conjunto do Porto.

O regresso à actividade de bandas já extintas não é de todo uma novidade. Aliás, isso acontece com bastante frequência, sobretudo quando o dinheiro é algo que não abunda e os músicos decidem fazer uma “comeback tour” para amealhar uns trocos. Porém, este caso, o dos Ornatos Violeta, é um pouco diferente. Em 2002, o grupo liderado pelo carismático Manuel Cruz decidiu parar, por questões ainda hoje pouco esclarecidas. Mas há aqui, desde logo, algo que os difere dos restantes grupos: eles não acabaram, nunca o fizeram. Apenas pararam.

Com dois álbuns de inegável qualidade – “Cão” de 1007 e “O Monstro Precisa de Amigos” de 1999 – os Ornatos Violeta lograram ao longo do seu período de inactividade elevar os seus dois registos de originais ao panteão do culto, mantendo, obviamente, os fãs que os ouviram desde o início da banda, mas também ganhando novos ouvintes à medida que o tempo foi passando. O nome da banda nunca desapareceu, de tal forma, que alguns dos seus membros, como o guitarrista Peixe, o baixista Nuno Prata e o próprio vocalista, Manuel Cruz, nunca conseguiram fazer esquecer o epíteto de “o gajo que era dos Ornatos”.

O certo é que os fãs nunca pararam de pedir por um regresso do grupo, regresso esse negado inúmeras vezes pelos mesmos. Talvez não seja total disparate negar a ligação do recente “boom” de popularidade que a banda sofreu, sobretudo nos mais jovens, com o programa de televisão Ídolos. Mas afirmar que este regresso foi para ganhar dinheiro e aproveitar a ocasião do momento é errado. Há alturas para parar e alturas para regressar e foi apenas isso que os Ornatos Violeta fizeram. Agora, será posto um ponto final na história do grupo, mas o nome, esse ficará. Mais importante do que regressar por interesses monetários, este será um regresso para ir embora.