Não estou para festivais
Sexta-feira, Outubro 7, 2011

Se o meu caro leitor se espanta com o título que acabo de dar a esta minha modesta intervenção, esclareço que, de facto, nos tempos que correm, a vida não está mesmo para festivais, querendo isto dizer que o momento é difícil e os recursos não abundam.

Esta expressão, que já vai fazendo parte do léxico popular, é usada também, noutros contextos, pela boca daqueles que, nada dispostos a arregaçar as mangas para fazer seja o que for para tentar, pelo menos tentar, proporcionar algo agradável à sua comunidade, se remetem à pequenez da crítica pela crítica de tudo o que à sua volta acontece, desconfiando de tudo e de todos, preferindo o doce vai e vem com a “cabeça entre as orelhas”, como tão bem canta Sérgio Godinho.

E porque está para aqui este a falar destas coisas sem sentido?, perguntam vocês.

Bom, é que é precisamente nestas alturas de maior dificuldade, de tendência para o desânimo, quando parece que nada vale a pena, o momento para que, aqueles que têm responsabilidades junto das suas comunidades, experimentem a capacidade para reagir, despertar e mobilizar vontades no sentido de, não só tentar saídas para os problemas, mas também organizar respostas, de âmbito cultural e recreativo, que vão de encontro à diversidade de interesses e respectivas faixas etárias, sabendo que nunca será possível agradar a todos em simultâneo.

A participação da Capital Europeia da Cultura no apoio às iniciativas culturais locais, na medida em que possa contribuir para qualificar estas iniciativas, vai, em meu entender, no bom sentido e contribui para uma verdadeira educação cultural, contrastando com a tentação de fornecer, a seco, cultura “pronto-a-vestir”, descontextualizada.

Este é dinheiro bem gasto. Mais caro fica não gastá-lo!!!!!