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O Conformismo é Inimigo do Progresso
Segunda-feira, Junho 7, 2010

Se o critério usado nas obras dos Banhos Velhos for a doutrina interna da Turitermas para tratamento do património que lhe foi confiado, então podemos esperar um conjunto de pequenas intervenções que retocam a imagem e pouco mais.

Na operação de reabilitação dos Banhos Velhos, toda uma ala vai ficar destelhada, com grades de ferro que permitem uma visão distanciada do que foram e como foram, mas não vão ser reutilizados. Pelo menos para já, mais tarde talvez.

O corpo principal, esse recebe uma intervenção mais profunda, mas, tanto quanto se pode perceber, terá por destino permitir uma leitura do que foram os tratamentos termais há uns anos atrás e mais nada.

Será um passo, mas um passo curto. Pedia-se mais ousadia, vistas mais largas, algo que dotasse o espaço de meios que garantissem uma frequência permanente de público, um equipamento aberto ao público de apoio aos viandantes e à dinâmica que se pretende com exposições, mostras, concertos musicais, exibições de teatro, cinema, dança.

Mas não vai ser isso que a Turitermas nos vai proporcionar. E se para o Parque o critério for idêntico ao aplicado nos Banhos Velhos, é certo e sabido que o resultado será uma operação de limpeza do ringue, nos jardins e nos caminhos, uma operação cosmética igualmente de vistas curtas, que nem a falta de dinheiro justifica.

A Turitermas é depositária de um património que tem por dever cuidar, conservar e manter, um património que interage com a vida, a saúde o bem-estar e descanso das pessoas, logo um conjunto de espaços e de equipamentos sociais da maior relevância para o desenvolvimento harmonioso da comunidade que, além disso, fazem parte do seu imaginário e até da sua identidade.

Dito por outras palavras, a Turitermas tem enorme responsabilidade para com os Taipenses, num grau que embora não se confunda com o grau exigível à Junta de Freguesia lhe está muito próximo, o que implica um sentido de actuação que prime pela prestação de contas permanente, um cuidado e uma atenção redobrada face às consequências das suas decisões, porque estas se repercutem no quotidiano das pessoas e são por elas avaliadas ao pormenor.

Com isto o que se pretende dizer é que a Turitermas falhou na apresentação pública do seu projecto para a recuperação dos Banhos Velhos e prepara-se para ter igual falhanço nos seus projectos para o Parque.

Sei que haverá quem responda a isto alegando que a cooperativa não é um órgão autárquico. Sei que também foi para fugir aos imperativos legais e para contornar as exigências dos órgãos do estado que os municípios, como os governos, inventaram as empresas públicas de diverso tipo. Porém, se a Turitermas quer ser um agente de mudança das Taipas tem de evoluir para uma gestão partilhada, porque só desse modo mobilizará vontades e provocará as sinergias que tanta falta fazem para dinamizar uma comunidade que se deixou conformar.