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  POLÍTICA   É Tempo de Dizer Basta
Segunda-feira, Junho 7, 2010

É suposto, nestas crónicas, abordar temas que tenham a ver com as Taipas e com a sua administração, seja de que sector for.

Num país e região onde se fala de iliteracia, se há palavra que toda a gente conhece é a palavra crise. Nos tempos que correm, a crise não tem só significado de abrandamento da produção e transmissão, para consumo e investimento, de mercadorias e serviços. Infelizmente, nos tempos que correm, a palavra crise é mais bem estrutural, e por isso mais grave, do que outras mais conjunturais. Trata-se acima de tudo de um défice externo, público (estado) e privado (bancos e empresas), cujo montante, ponderado pelo crescimento económico do país, é de tal ordem que os credores já começam a pôr em dúvida a capacidade de reembolso por parte do estado e reflexamente dos privados. Por reacção, a taxa de juro a pagar pelos novos empréstimos – que se destinam a pagar outros que se vencem – tem subido. Como o grande grosso desses juros são pagos a investidores estrangeiros, o país empobrece. E o país empobrece porque, cronicamente, a balança comercial é deficitária – isto é, comprámos mais, em valor, ao estrangeiro do que aquilo que vendemos. O país continua a empobrecer porque o estado e os particulares gastam mais do que aquilo que “ganham”, de outra forma mais verdadeira, gastam mais do que aquilo que produzem. Essa situação gera défice público e endividamento. Como o país não produz para aquilo que gasta tem que ir ao mercado (estrangeiro) pedir emprestado. E o ciclo recomeça de novo até se estancar a corrente. Como é que se estanca esta corrente furiosa? Com medidas justas, equilibradas e responsáveis que não cabe aqui desenvolver.

Vem isto a propósito do seguinte: a junta de freguesia tem uma funcionária que se encontra de baixa há oito (8) meses. Essa funcionária, por ser pública, está no seu domicilio – pode sair de casa – aufere 100% do salário. Estar em casa ou no emprego – neste caso com custos acrescidos de deslocações e refeições – é, do ponto de vista da remuneração, completamente indiferente.

No sector privado, um mesmo funcionário, trabalhador para não ofender aquele que é público e que é muito ciente dos seus direitos e privilégios, aufere 65% da remuneração de referência; pode chegar aos 75% da remuneração de referência se estiver de baixa mais de um ano.

Considerando que: é certo que a percentagem da remuneração do beneficio do trabalhador que pertence ao regime geral da segurança social, nos próximos 50 anos, tem tendência, quando muito, a diminuir;
– que se encontram de “baixa” por doença, em permanência, muitos milhares de funcionários públicos, muito tranquilamente a auferirem 100% do salário;

– que muitos milhares desses funcionários está-lhe diagnosticada a “doença da depressão”

– que os salários da função pública são pagos com os impostos e “paraimpostos”, taxas e semelhantes de todos os portugueses;

– que é inadmissível manter, por mais um dia, dois regimes de protecção da doença;
– que seria o óptimo, mas revela-se utópico, garantir aos trabalhadores por conta d´outrém, na doença, 100% do salário.

Digam lá se não seria uma boa medida passar para 65% do salário aos funcionários públicos que se encontram de baixa médica.
Aposto que, a uma boa parte deles, passava-lhes logo a depressão.

E assim daríamos um contributo positivo para a moralização de um país de instalados.