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  POLÍTICA   Um mapa que não deveria existir
Terça-feira, Fevereiro 9, 2010

Não entendo a democracia sem uma grande e profunda responsabilização de todos os agentes que têm de decidir. Enquanto o exercício de funções públicas continuar a raiar a mediocridade sem consequências não me peçam para valorizar quem quer que seja da função pública ou com responsabilidades públicas.

Vem isto a pretexto do chamado “mapa 2012” se é assim que se chama, pois ainda não vi, e é estranho que isso aconteça por força das funções que desempenho na junta de freguesia, que ainda não tivesse encontrado nada escrito sobre isso dos seus autores. Os autores deste “mapa” 2012” pretende fazer um levantamento exaustivo e rigoroso do património valioso existente em todas as freguesias do concelho de Guimarães; este levantamento, que se pretende ser levado a cabo pelos técnicos da Câmara de reconhecida e demonstrada competência, tem por objectivo principal uma posterior intervenção requalificativa da Câmara com a qualidade que se pôs na recuperação do centro histórico de Guimarães.

Este “mapa 2012” não deveria ser necessário existir; contudo é necessário existir e passou a ser uma “bandeira” da câmara e de todo o seu “séquito”.

Não era necessário existir porque a câmara municipal, por onde passam obrigatoriamente todos os processos de construção, reconstrução ou de intervenção imobiliária, pelo menos exterior, deveria ter evitado autênticos crimes urbanísticos que se cometeram por esse concelho fora; tinha essa obrigação, e se o fizesse não fazia mais do que isso.

As Taipas, desde sempre, conservou o seu centro de peculiar aspecto e de uma harmonia urbanística que a tornava singular. Dizer isto, quer dizer que o centro das Taipas era distinto de outras terras e lugares. Por ser diferente na sua essência era único. E o que é único tem valor acrescido.

Até que a pressão urbanística não desarmou e os senhores da câmara lá trataram de “abastardar” as Taipas, o seu centro, o seu âmago: autorizaram a fachada do Centro Comercial Passerelle; o prédio do “Clara”; e o novo hotel das termas.

Aquelas três construções poderiam existir, ou não, noutros locais das Taipas; junto das novas construções. Mas, naqueles locais, NÃO. Se o projecto de arquitectura respeitasse a traça tradicional da Avenida da República; a volumetria; as fachadas, podia-se harmonizar as novas construções com as seculares existentes. Assim, não.

Mas o que resulta disto tudo, é que não há responsáveis. Aqueles arquitectos, engenheiros, aqueles técnicos da Câmara, muito criteriosos em tudo que seja pormenor na entrada e saída de qualquer casa ou estabelecimento, deixaram passar aquilo que fere a sensibilidade mais básica do cidadão: uma desarmonia de estilos arquitectónicos misturados aleatoriamente que resulta num estilo arrogante sem sentido. Assim se perde a identidade; assim se perde a cultura.

A Câmara de Guimarães prestava um tributo significativo à capital europeia da cultura se banisse os técnicos e politicos que foram os responsáveis por aquelas monstruosidades. Assim, teríamos uma democracia responsável. Até agora, foi um faz de conta.