POLÍTICA   Nós a CEC e as Taipas
Quarta-feira, Janeiro 13, 2010

A palavra cultura é de um conteúdo semântico riquíssimo. Para a sua definição já foram escritos milhares de livros e muitos serão ainda escritos. Para quem estudou no ramo das letras, havia, no complementar, uma disciplina que se chamava “Antropologia Cultural”. Fazia parte da matéria abordar os diferentes conceitos do termo cultura: conceitos da sociologia, da filosofia, da antropologia. Em todos os conceitos permanecia uma característica comum: A cultura é tudo aquilo que é produzido pelo homem por contraposição ao que é adquirido (genética).

Quando Miguel Alves do PS (membro da AM) diz que “é o momento de tirar a CEC do ringue politico local” que é o mesmo que tirar o CEC da luta politico/partidária. Nessa perspectiva tem inteira razão. Essa afirmação não pode ter o condão de negar uma necessária reflexão critica, principalmente aquela que reconduza, com realismo, a CEC à sua verdadeira natureza, aos seus verdadeiros efeitos e à sua delimitada importância.

Os munícipes do concelho de Guimarães quando ouvem falar na organização da capital europeia da cultura em que é que pensam? O que vai acontecer? Que realizações imateriais? Que realizações materiais? O que se quer?

Ao tentar apreender o que a imprensa escrita transcreve fica-se com muitas dúvidas: “A programação da Capital Europeia da Cultura 2012 pretende estabelecer uma ligação real entre arte e a economia, numa diversificação e inovação de actividades económicas.” “mostrando a possibilidade e importância de serem criadas industrias culturais”. Cristina Azevedo, Presidente da fundação Cidade de Guimarães, Povo de Guimarães de 25/12/209.

O que é que aquela declaração quer dizer ao cidadão médio?

Não sei se muito ou pouco

Pela minha parte, e antes de conhecer a programação, vou arriscar alguma coisa: do ponto de vista das realizações materiais, 70 milhões de euros, a Câmara de Guimarães, vai fazer um sem número de projectos de recuperação e de requalificação de edifícios de várias zonas da cidade fora do centro histórico. Nas realizações imateriais, vão ser organizadas muitas exposições, muitos concertos, muitas conferências, muitas exibições de dança, musica e folclore.

Depois disso, depois de 2012, na ressaca da Capital Europeia da Cultura, podemos fazer, desde já o balanço: A cidade de Guimarães vai ser indiscutivelmente mais conhecida e promovida em Portugal e no estrangeiro, o que, por si, é uma vantagem para potenciar a afluência de forasteiros à cidade – por aí, Guimarães já ganhou! Vão crescer o número de edifícios públicos cuja conservação e manutenção vão onerar as despesas correntes do município. E…uma bela recordação do que foi a Capital Europeia da Cultura

E o povo?

Arredado da maior parte das realizações para cuja compreensão jamais a educação recebida desenvolveu os sentidos necessários; a braços com o desemprego e emprego precário que, no concelho, não irá diminuir; a lutar contra os cortes nas despesas sociais que os afectam particularmente: ignorará as produções, mesmo sublimes, do espírito humano por as mesmas se afigurarem incompatíveis com as necessidades da sobrevivência.

E as Taipas: como o pólo urbano mais importante do concelho extra urbe, que realizações, materiais e imateriais, se lhe reservam dentro do âmbito da CEC?

Parece que nada.

Sempre temos a E.N. 101 para irmos bater palmas à macrocefalia da cidade.