POLÍTICA   Saber Esperar
Sábado, Novembro 7, 2009

Fazendo um esforço de interpretação das eleições para a assembleia de freguesia, a CDU apontou o dedo à bipolarização, ou seja, ao processo de concentração de votos em apenas duas forças concorrentes, com prejuízo das demais. Factos são factos e os resultados realçam o avolumar de votos no PSD e no PS e com o consequente esvaziamento de todos os outros partidos e coligações.

Para o desfecho das eleições concorreram vários factores, mas para mim os mais importantes são: a agitação frenética desenvolvida pela candidatura socialista durante quase um ano; o populismo praticado pelos sociais-democratas ao longo dos quatro anos de mandato; o mito do inimigo externo e da vitimização.

Desde Dezembro de 2008 que a candidatura promovida pelo Partido Socialista estava na rua, antecipando-se às tradicionais mensagens de Natal e ocupando o lugar habitualmente ocupado por estas. Foi uma tentativa de marcar cedo o terreno e a campanha. Sucederam-se as mensagens, multiplicaram-se os outdoors à medida que a data das eleições se foi aproximando, proliferaram as iniciativas e com tudo isso foi ganhando consistência a ideia que o PS estava à beira de vencer o PSD.

Em rigor, o que o PS estava a fazer era tentar recuperar o atraso que ele e os outros partidos levavam em relação ao PSD que desde o primeiro dia do mandato abdicou de cumprir o seu programa e se dedicou a preparar as eleições seguintes, estas que aconteceram em 11 de Outubro.

Foi o avanço que tinha que fez com que o PSD não reagisse à iniciativa natalícia do PS, no convencimento que o seu eleitorado estava atempadamente mentalizado pelo catecismo da guerrilha institucional com Guimarães, elevada à categoria de causadora do atraso, do subdesenvolvimento e da ineficácia da junta. Quando o PSD saiu à rua, fê-lo de uma forma ostensiva, exibindo força, um verdadeiro exército juvenil diariamente de serviço, mais apostado em mobilizar as hostes do que em esclarecer as propostas programáticas.

PS e PSD tentaram inculcar a ideia do “ou nós ou eles” e essa ideia força encontrou eco nos taipenses, com óbvia desvalorização das outras candidaturas.

Saiu claramente vencedor da contenda quem conseguiu atribuir a Guimarães a culpa dos erros próprios, apropriando-se das teses dos separatistas que, por isso mesmo, pagaram muito caro o facto de já terem quem represente melhor a causa do que eles.

Os ares de imperador do Constantino e da corte que o acompanha não combinam com o papel de presidente da junta que vai assumir e não deixam margem de manobra para dar o dito por não dito, voltar atrás e fazer de conta que aceitam as regras do jogo com a sede do concelho e em especial com António Magalhães. O rescaldo das eleições demonstrou que o PSD soltou demónios, soltou o génio da independência que jazia na lâmpada e que uma vez soltou será difícil fazê-lo regressar ao lugar de partida sem que muitos se sintam frustrados e órfãos, capazes de se virarem contra o criador.

Por isso há que saber esperar.