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  POLÍTICA   E Agora?
Sábado, Novembro 7, 2009

Não podia deixar de abordar os resultados das eleições autárquicas do passado dia 11 de Outubro. Poderia cair no simplismo de dizer que foi uma grande vitória do PSD e uma grande derrota do PS. Não vou por aí porque analisados os resultados em mais do que uma perspectiva poderia, em algumas delas, concluir que o PS foi um vencedor entre os vencidos.

O que estava em causa nestas eleições era uma questão muito simples: de quem era a culpa da falta de investimento nas Taipas? Claro que, para os eleitores perceberem esta questão, muito esclarecimento teve que ser prestado. A resposta do povo das Taipas foi óbvia: a culpa do subdesenvolvimento das Taipas é da Câmara liderada, há 20 anos, pelo PS.

Atendendo a que o PS para a Câmara teve 1350 votos e para a freguesia 1227, o povo disse mais: pior do que a Câmara de Guimarães são os Taipenses, candidatos à Assembleia de Freguesia, que apoiam o PS do concelho e são apoiados pelo PS do concelho.

Só assim se explica o grande abismo entre os resultados, na freguesia, para as legislativas e para as autárquicas. Numas o PS apareceu como esmagadoramente vencedor; noutras o PS aparece como esmagadoramente vencido.

E AGORA?

Ninguém pode acusar a junta de freguesia que terminou o mandato de falta de dedicação, trabalho e de prosseguir a concretização de tudo aquilo a que se propôs nas eleições de há quatro anos.

Com certeza que a labuta vai continuar com mais intensidade, com mais vigor e energia.

Defendo que o desenvolvimento das sociedades tem que ser o produto de um esforço colectivo e se for de todos, desse colectivo, melhor. Não acredito em “salvadores da pátria”, em craques, em “D. Sebastiões” como modelos de desenvolvimento. A propósito disso, disse-o mais do que uma vez: o facto de Durão Barroso ter sido indigitado presidente da Comissão Europeia só fazia bem ao ego nacionalista sem qualquer resultado no crescimento e desenvolvimento de Portugal. Passados cinco anos, os números estão à vista. Entendo que o colectivo é sempre muito mais que a soma das partes e por isso mais importante.

Querer fazer vingar a ideia de que o crescimento e desenvolvimento das Taipas passa só pela junta de freguesia é tentar enganar o povo.

A responsabilidade primeira é da Câmara de Guimarães numa proporção de 60%; numa percentagem de 15% é das Taipas Turitermas; 15% da Junta de Freguesia e os restantes 10% das restantes instituições da vila. O problema é que, não contribuindo a Câmara com os seus 60%, põe em causa a concretização dos restantes 40%. É assim a nossa organização autárquica, são assim as finanças locais.

São estas entidades que têm a responsabilidade de “dar um salto qualitativo à vila das Taipas; não apenas no interesse da vila mas do concelho e da região. Há investimentos a fazer aqui, vamos lançar mãos à obra, (…) esqueçam os partidarismos (…) não interessa o partido(…) a primeira coisa que é necessário exigir é que tenhamos um projecto que interessa à comunidade (…) o que está em causa é a bandeira das Taipas”*

É necessário que elas se unam e cooperem com objectivos claros: projectos que interessam à comunidade.
Para isso, se for necessário, que façam previamente o acto de contrição e vão reconhecer que nenhuma delas pode atirar a “primeira pedra”.
As Caldas das Taipas agradecem.

* discurso do presidente da câmara de Guimarães em jantar convívio de 06/12/2008