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Aqui pela Vila
Quinta-feira, Janeiro 22, 2009

A vila das Taipas ameaça tornar-se num caso digno de estudo ou investigação. É estranho, ou talvez nem por isso, mas alguns factos conhecidos nos últimos tempos – uns oficialmente, outros nem tanto mas que, tal como se dizia num antigo e famoso spot publicitário de uma marca dentífrica, “andam na boca de toda a gente” – são suficientemente desconcertantes para deixar qualquer pobre mortal, crente nas boas práticas administrativas e financeiras das instituições, perplexo e de boca aberta.

Não chegavam já as trapalhadas e histórias mal contadas protagonizadas pelo executivo da Junta de Freguesia com a compra de uma carrinha com contornos nublosos e a sua posterior devolução novamente com contornos nunca claramente esclarecidos – e que promete agitar novamente as discussões nos próximos tempos – ou as trapalhadas com o dinheiro da receita da cerveja na feira da francesinha que fez também correr imensa tinta, eis que novos “casos” prometem assumir protagonismo e discussão aqui pela vila.

Não sendo oficial, andam efectivamente de boca em boca, os “boatos” sobre possíveis irregularidades financeiras e até desvios numa Associação de Pais cá da vila. É verdade que os “boatos” valem o que valem – ou seja, nada! – e se propagam a uma velocidade incontrolável, no entanto não deixa de ser estranha esta percepção de que toda a gente na vila tem conhecimento e sabe do que fala quando se refere a este assunto.

Ora, porque o assunto se fala à boca cheia e porque os “boatos” quando negativos, são na maioria das vezes cruéis e arrasadores para quem está sujeito a eles, não se compreende a razão do silêncio da Associação de Pais.

Para preservação da credibilidade da associação e até para ilibar, ou não, definitivamente os visados impõe-se um esclarecimento cabal por parte da Associação de Pais. Tal não acontecendo, estes “boatos” transformar-se-ão naturalmente numa espécie de verdade adquirida, como verdade adquirida acabará por ficar também a tese subjacente de que o “abafamento” se deve à interferência de algumas personalidades públicas da vila.

Mais oficial, e novamente com a Junta de Freguesia como protagonista, é a conclusão do famoso inquérito interno aos seus serviços de tesouraria que confirmou o “abotoamento” como diz o povo, de uma boa quantia de euros por uma funcionária. Quantia esta, proveniente dos pagamentos dos feirantes e pertença da Junta de Freguesia, ou seja dinheiro público.

Também como diz o povo: “cepo que nasce torto, tarde ou nunca se endireita”. Assim, este inquérito – interno, sublinhe-se – que foi anunciado no início de Julho de 2008, demorou, nada mais nada menos, que seis longos meses para ser concluído, originando esta injustificada demora mais uma quantidade de “boatos”. Por sua vez a comissão de inquérito formada apenas pelo próprio tesoureiro e por um destacado membro do mesmo partido que o tesoureiro, conferiu pouca credibilidade e transparência ao processo.

Agora perante as conclusões do inquérito, qualquer cidadão comum concluirá por sua vez que a dita funcionária, além da reposição óbvia da quantia em causa terá sido suspensa das suas funções. Pois se assim concluiu, enganou-se rotundamente. Além da reposição óbvia e de uma coima, a dita funcionária continuará a exercer naturalmente as suas funções. Assim, será interessante conhecer agora as razões porque a funcionária não foi suspensa e qual a relação desta decisão com a condução do inquérito.

Tudo isto é realmente estranho. Mas afinal, não são estranhos também os factos e “boatos” acima mencionados? Ou talvez nada disto seja de estranhar e o estranho aqui seja apenas o facto de haver quem, como eu, não consiga entender e digerir estas coisas?

Mesmo assim, por mim, prefiro continuar a pensar que tudo isto é efectivamente estranho e invertendo um famoso provérbio popular, termino dizendo que: à mulher de César não basta parecer séria, essencialmente é preciso sê-lo. É precisamente o cumprimento deste mandamento sem qualquer tipo de atenuante que se exige em toda e qualquer instituição ou entidade pública, quer nas acções quer nas decisões. Infelizmente, e por aquilo que vamos vendo e ouvindo, tal nem sempre acontece.