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Aos pactos castradores
Sexta-feira, Fevereiro 15, 2008

Política: palavra que radica no grego “PÓLIS” e seria a arte de bem administrar a cidade. Os gregos, no período de Péricles, pelo menos no séc. V A.C., tinham a cidade/estado. A “polis” era o estado. A política era a administração do estado. A política entendida como a arte, o saber, de bem administrar o estado, aqui já entra o latim, a “res publica”, a coisa pública, era uma arte considerada e prestigiada.

Foi neste período, desde o séc. IIIV antes de Cristo até à era cristã, que floresceram os filósofos gregos. A filosofia é tanto mais rica quanto mais liberdade têm os pensadores de reflectir sobre a politica, a sociedade, a administração e, na mesma relação directa, tanto mais quanto os destinatários da reflexão, do questionamento, se mostrem abertos à mudança.

A administração do estado tem que ser entendida como uma dialéctica constante; isto é, uma “luta” de ideias que potencie a reflexão, a criatividade e o questionamento permanente.

Como é sabido, os dois principais, partidos portugueses, em votação eleitoral já fizeram alguns pactos declarados e outros que se mantêm latentes: o da extinção dos partidos pequenos que não demonstrem ter, pelo menos, 5.000 militantes; o pacto para a justiça sobre a nova organização judiciária, foram os que vieram a público. Outros, como o de haver mudanças nas cadeiras das empresas públicas, em situação de alternativa, é outro que não escrito, existe “de facto”.

A existência de pactos dos dois maiores partidos é castrador da actividade politica, livre, democrática e pluralista.
A máxima socrática, estou a falar de Sócrates, filósofo grego, não o Sr. Eng. José Sócrates que é bem mais conhecido cá na cidade estado, Portugal, – só sei que nada sei – está cada vez mais actual.

As transformações sociais, politicas e económicas operam-se de forma cada dia mais rápida. Uma verdade absoluta hoje já não o é amanhã. Veja-se o caso do aeroporto, da OTA para Alcochete; o caso da nova constituição europeia a que deram o nome de “tratado de Lisboa”; o caso das portagens na SCUTS. Cada vez mais, para a política, as verdades, as opções, são circunstanciais no tempo, no espaço e envolvente sócio-económica.

Até pelas más razões, enunciadas no parágrafo anterior, os pactos são prejudiciais. São rígidos e a sua eventual aplicação, quando tarda, já não responde às circunstâncias supervenientes.

A administração do estado deve ser um espaço aberto de discussão e de reflexão e não um campo de concentração de ideias e opções consumadas.