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40 anos da Universidade do Minho vividos entre Guimarães e Braga
Domingo, Outubro 12, 2014

Numa organização conjunta da Assembleia de Guimarães e da Fundação Carlos Lloyd Braga foi apresentado o livro “História da Universidade do Minho 1973/1974-2014”, tendo como convidados principais Fernando Alberto Ribeiro da Silva, ex-governador civil de Braga e António Magalhães, ex-presidente da Câmara Municipal de Guimarães.

Esser Jorge moderou o debate e coube a Francisco Azevedo Mendes, professor do Departamento de História/ICS, a revisitação da obra apresentada, sessão ocorrida a 10 de outubro.

A Universidade do Minho foi criada em 1973, a 11 de agosto (Decreto-Lei n.º 402/73), pelo então ministro da educação Veiga Simão, num quadro de uma reforma da educação levada a cabo nessa altura. Já a 17 fevereiro de 1974, o ministro da educação assiste à posse do primeiro reitor, Carlos Lloyd Braga, visitando nessa altura as cidades de Guimarães e de Braga, sinal de um compromisso da partilha dessa universidade entre as duas cidades minhotas.

O primeiro ano letivo teve início já depois do 25 de Abril de 1974, mais precisamente a 16 de dezembro, ultrapassando-se, deste modo, a indefinição que pairava, se esta universidade não passaria do “papel”.
Os primeiros anos foram marcados por profunda divisões e pela polémica da instalação da universidade. Desde o seu início, a Comissão Instaladora da Universidade do Minho (CIUM), investida a 14 de fevereiro de 1974, defendeu um polo único e a sua instalação em Caldas das Taipas. Esta hipótese foi apresentada pela empresa Profabril, entidade especializada neste tipo de serviços, como sendo o local ideal enquadrado “em grande parte pelo rio Ave e pela estrada nacional que liga as duas cidades” [Guimarães/Braga], como se pode ler no livro agora apresentado, prevendo-se a “utilização dos primeiros edifícios no ano letivo 1977/78”.

O resto da história o leitor poderá encontrar com todos os pormenores no livro de Henrique Barreto Nunes, Márcia Oliveira, Maria Manuel Oliveira, Rita Ribeira sob coordenação de Fátima Moura Ferreira. O que é certo, é que Braga e Guimarães entraram numa guerra onde utilizaram todas as suas armas e influências políticas para defenderem os seus interesses nesta questão. A decisão final viria a ser tomada durante o governo de Mário Soares, em setembro de 1976, definindo-se que a “criação de uma Universidade de tipo bipolar para o Minho, com um pólo em Braga e outro em Guimarães, pode aproveitar, com utilidade, do âmbito humanista da zona bracarense, e do pragmatismo industrial da zona de Guimarães.”

Estas e outras histórias foram relembradas por Fernando Alberto e António Magalhães. Este último centrou-se na “complexidade de trazer um polo da universidade para Guimarães”, tendo muita gente “dado o litro por esta causa”, tendo ainda dito que o polo de Guimarães se fica a dever ao “bairrismo” dos vimaranenses. Fernando Alberto, muito emocionado na sua intervenção, alinhou pelo mesmo diapasão, relembrando que, mal se iniciou o processo da criação da UM, começaram de imediato “as guerras entre Guimarães e Braga”, destacando ainda a prestação de Diogo Freitas do Amaral em toda esta problemática.

Esta sessão de apresentação do livro dos 40 anos da UM contou com a presença de bastante público, estando presente o presidente da Câmara Municipal de Guimarães, Domingos Bragança, o reitor da UMInho, António M. Cunha e o presidente da Fundação Carlos Lloyd Braga, Carlos Couto.

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