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Análise de uma entrevista
Quarta-feira, Dezembro 23, 2020

A edição em papel deste mês do Jornal Reflexo traz uma grande entrevista ao presidente da Câmara de Guimarães. Na capa, a letras garrafais, destaca-se a afirmação: “A vila das Taipas tem um potencial enorme e a comunidade está a ter o investimento que merece”.

Acredito que o presidente tenha feito esta afirmação cheio de boas intenções, mas a mesma revela muito do tratamento discriminatório a que a vila das Taipas sempre foi voltada pela Câmara de Guimarães.

Senhor presidente, a vila das Taipas tem potencial há milhares de anos, o rio, as águas termais, a sua localização geográfica, fizeram já deste pedaço de terra o eleito por povos anteriores à nossa nacionalidade.

Chegar ao século XXI a alegar o potencial enorme das Taipas, sem cumprir esse potencial, retrata bem como vivemos da gestão da promessa por parte dos nossos políticos.

A segunda parte da afirmação: “está a ter o investimento que merece” remete-nos para um questionamento que deveria inquietar todos aqueles que acreditam em valores como a Liberdade e a Democracia. Então, mas só agora é que Caldas das Taipas merece esse investimento? Nestes 30 anos em que a Câmara deixou o património taipense chegar a um ponto de degradação que arrastou consigo a vitalidade turística, comercial, empresarial da região, as Taipas não merecia?

O que é que mudou nas Taipas para agora, merecer este investimento? Porque é que foi necessário deixar chegar a um ponto onde já não se recupera, antes se arrasa tudo para substituir por coisas novas e, neste processo se destrói , a história e o património de uma terra que sempre foi maior que a própria vila.

Diz-nos o presidente que sempre tivemos investimento nas Taipas, fala na Escola Secundária, cujo diretor era vereador da Câmara pelo partido Socialista; o centro Social e as Termas, presididas pelo vereador Ricardo Costa (também do PS) ou o Avepark também ele, à época, gerido pelo antigo presidente da junta das Taipas e militante do PS.

Percebemos assim, pela entrevista do senhor presidente, que só há investimento do dinheiro de todos nós onde houver gestão socialista. O que ajuda a explicar as enormes desigualdades sociais que existem no nosso concelho…

Dizem que a ditadura acabou em 1974, tenho algumas dúvidas. Esta apropriação da coisa pública, esta manipulação dos recursos de todos em benefício, e para benefício, de alguns. Esta falta de estratégia integrada para uma região e pelo efectivo cumprimento do seu potencial, privilegiando investimentos avulsos (alguns que se revelam desastrosos, por serem isolados) onde estão os compinchas do partido não revelam qualquer sentido democrático.

Num ano onde todos fomos desafiados a transformar-nos, a adaptar-nos, onde o mundo mudou, o burgo vimaranense continua igual a si mesmo, fechado numa visão partidária, incapaz de reconhecer e aprender com os erros, pomposo a anunciar obras extemporâneas e incapaz de ver e adequar as suas acções às necessidades da sua população.

Que 2021 traga a mudança!

Boas Festas, com saúde.