Amâncio Mendes, tesoureiro da Comissão Administrativa“Clube poderá fechar portas”
Terça-feira, Maio 3, 2005

“O senhor presidente da CMG sabe perfeitamente o que o Taipas quer da Câmara.”

Para Maio estão marcadas eleições para o Clube. Até onde vai a responsabilidade dos actuais dirigentes?
A Comissão Administrativa (C.A.) assume as suas responsabilidades até 31 de Maio. A partir dessa data os actuais membros deixam o clube que será entregue aos sócios e estes terão de decidir o que pretendem em termos de futuro.
Posso garantir que, em termos colectivos, a C.A. não continuará, assim como o seu presidente, fruto do cansaço e desgaste.
O desgaste tem sido muito grande, superior ao esperado, aliado ao facto das pessoas não ajudarem como tinham prometido, dos sócios não aparecerem e de algumas conversas especulativas.

A C.A. não continua porque não conseguiu alcançar os seus objectivos, ou pela falta de apoios?
A C.A. tinha como objectivos relançar o Taipas em termos sociais, proporcionar a prática de desporto aos jovens e manter o Taipas na 3ª divisão. As coisas até começaram bem e tínhamos em mente que isto seria um trabalho para um ano, para depois alguém poder tomar conta do clube.
Neste momento, o Taipas tem um orçamento que ronda os 165 mil euros euros. O clube e os seus amigos podem perfeitamente sustentá-lo com este orçamento.

“O senhor presidente da CMG sabe perfeitamente o que o Taipas quer da Câmara.”

O que falhou então em termos desportivos, com a mais que provável descida de divisão?
A Comissão também terá as suas culpas, mas quando assumimos os destinos do clube alertámos de imediato para alguns perigos, porque sabíamos das precárias condições em termos de plantel. Apostámos na prata da casa e iniciámos a época com 16 jogadores. A 15, dia do início da competição, não tínha-mos o plantel definido. As coisas até começaram bem, mas depois fomos abaixo.
É evidente que se tivéssemos tido outro tipo de apoios, nomeadamente por parte da Câmara Municipal de Guimarães, as coisas poderiam ter sido diferentes. O senhor presidente da CMG sabe perfeitamente o que o Taipas quer da Câmara, concretamente a finalização da bancada que é uma obra que faz muita falta ao clube. Tenho consciência de que quando há vontade para ajudar, os apoios aparecem. O senhor presidente da Junta sabe das nossas pretensões e tem estado disponível para ajudar o clube. Continuamos à espera, mas o facto é que a obra está inacabada, já se está a degradar, com os balneários a ficarem sem condições, devido às infiltrações de águas e chuva.
A falta de apoio da Câmara para acabar a bancada justifica o desaire desportivo?
Podemos dizer que os actuais maus resultados são fruto de um desempenho abaixo do esperado do plantel, de alguma inexperiência da C.A., da falta de apoios financeiros que foram prometidos por alguns sócios e que não apareceram. Em Dezembro pensámos em reforçar o plantel, mas os jogadores disponíveis, perante a disponibilidade financeira, não eram os que pretendíamos. Antigamente o clube vivia de algumas pessoas com disponibilidade financeira para apoiarem o clube, neste momento as coisas já não são assim. Não há, nem haverá num futuro próximo, alguém com capacidade financeira para manter o clube em actividade na 3ª divisão.
A actual situação desportiva não dará uma oportunidade de relançar ou refundar o clube, com outra visão e uma estratégia diferente daquela que o Taipas tem seguido, vivendo acima das suas possibilidades?
Neste momento quem tomar conta do Taipas tem grandes probabilidades de triunfar. O clube está organizado e financeiramente não se pode dizer que são muitas as dívidas. As pessoas têm que ter a consciência de que as coisas estão muito difíceis, mas o clube tem estatuto para, pelo menos, estar na 3ª divisão.

“Não faz sentido o Taipas não ter seniores, pela sua dimensão em termos de clube e massa associativa.”

Não põe a hipótese de uma futura direcção suspender a participação do plantel sénior por uma ou duas épocas?
Não faz sentido o Taipas, pela sua dimensão e massa associativa, não ter seniores. Seria uma grande frustração com con-sequências imprevisíveis se isso acontecesse. Temos muitos sócios que pagam as quotas e não vão ver um único jogo durante a época, porque sabem que o clube tem uma grande tradição. O futuro do Taipas passa por racionalizar as suas despesas, se calhar gastando menos no plantel sénior e investir mais nas infra-estruturas. Agora, acabar com os seniores, não me parece ser o melhor caminho.
O Taipas poderia apostar fortemente nas camadas jovens.
Caso o Taipas não tenha uma equipa de seniores, não consegue angariar receitas para sustentar as camadas jovens.
Voltando à questão da bancada, o que é que o clube pretende da CMG e que diligências tomou nesse sentido até ao momento?
No início da época marcámos duas reuniões com a Câmara, o seu presidente recebeu-nos muito bem e foi-lhe transmitido que existe um projecto para a conclusão da obra que ronda os cerca de 100 mil euros. O que pretendemos é a conclusão da obra.
Mas a CMG alguma vez se comprometeu a financiar a obra para que o clube possa reivindicar este apoio?
A Câmara sempre prometeu ajudar na construção desta bancada. Neste momento, falta a cobertura e já tivemos oportunidade de saber, até pelo presidente da Junta de Freguesia, que esta obra é uma das prioridades da CMG. O senhor presidente da Câmara já disse, publicamente, que está disposto a ajudar, falta somente concretizar.
Mas o Taipas espera que a CMG financie os 100 mil euros?
Nós esperamos que a Câmara resolva o problema da Bancada.
Numa das anteriores assembleias foi dito que não haveria salários em atraso referentes à época de 2003/2004. Isso corresponde à verdade?
Há salários em atraso referentes ao último mês da época, ou seja, Maio de 2004, que o ex-presidente assumiu pagar até final do mês de Maio do ano corrente.
No entanto, o clube está impedido de inscrever jogadores devido a um processo que deu entrada na Federação Portuguesa de Futebol, interposto por ex-atleta do clube. Como se explica esta situação?
O Taipas foi notificado desse processo, que lamenta. A notificação foi entregue ao anterior presidente do clube que já tinha assumido o pagamento integral dessa dívida. Não é um problema que nos preocupa, pois tudo será tratado como previsto.

“As dívidas remontam a 96/97 e dizem respeito a fornecedores e à Segurança Social. A dívida já vem dos dois presidentes anteriores a esta Comissão.”

Também foi dito que o passivo ronda os 67 mil euros. Esse passivo resulta objectivamente de quê? É só de uma época ou já foi transitando ao longo das últimas direcções?
As dívidas remontam, salvo erro, a 96/97 e dizem respeito a fornecedores e à Segurança Social, ou seja, o passivo já vem de pelos dois presidentes anteriores a esta C.A., Avelino Marques e Francisco Ribeiro.
Então a ideia de que na “passagem de testemunho” o clube tinha as contas saldadas não corresponde inteiramente à verdade?
Certamente, mas é evidente que quando as pessoas tomam conta de um clube, sabem de antemão a situação em que se encontra e há algumas despesas que vão aparecendo ao longo do tempo.
Referiu que a falta de apoio da Câmara, dos comerciantes…
Os comerciantes ajudaram e muitos ajudam porque têm orgulho no clube. O que aconteceu é que algumas pessoas que, nas assembleias, nos incentivaram a avançar, porque poderíamos contar com elas, isso não se verificou. Outras ajudaram nos primeiros tempos mas depois desapareceram.
As Taipas tem pessoas com capacidade para assumir a liderança do clube, mas não querem assumir responsabilidades, pre-ferem criticar.

“No final do mês de Maio, entregamos as chaves à Assembleia-geral, é altura das pessoas arregaçarem as mangas para arranjar uma solução.”

Há dez meses atrás ficou-se com a ideia de que esta C.A. seria uma situação de recurso e que a assembleia continuaria a tentar encontrar uma solução directiva para o clube. Isso aconteceu?
Por aquilo que me é dado a perceber, não. É como as pro-messas de que há pouco falava, ficam no ar mas pouco se concretiza. Infelizmente reina o comodismo, nunca ninguém apareceu junto desta Comissão a informar que tinha tentado este ou aquele contacto ou que estavam a tentar arranjar uma solução.
As pessoas em geral comentam e falam que o Taipas deveria manter-se na 3ª divisão ou até subir, mas esquecem-se de que é preciso trabalho e gente para ajudar o clube.
Por tudo isto, esta Comissão quer que as pessoas saibam que, a partir do dia 31 de Maio, caso não apareçam candidatos, o clube abrirá única e exclusivamente as portas para realizar os jogos que faltam nas camadas jovens, não se realizando sequer os treinos. O ano passado o processo foi-se arrastando, mas este ano, caso não apareçam candidatos até dia 20, mais vale o clube fechar as portas. No final do mês de Maio, entregamos as chaves à Assembleia-geral. É altura das pessoas arregaçarem as mangas para arranjar uma solução.

José Henrique Cunha com  Alfredo Oliveira