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Ainda o “monstro” da Costa
Quinta-feira, Outubro 11, 2018

Não estive na Assembleia Municipal em que – finalmente diria! – foi discutida pelos políticos locais a construção de um prédio que  interrompe um alinhamento secular entre o centro histórico de Guimarães e o mosteiro de Santa Marinha da Costa. Baseio-me por isso no que leio na imprensa local para voltar a um assunto sobre o qual venho intervindo. Sempre enquanto cidadão.

Disse o presidente da câmara de Guimarães que “está tudo bem” com o prédio da Costa. Não está, senhor presidente! E não está precisamente por causa daquele que foi o motivo da minha crítica desde o início deste processo e que motivou as reacções indignadas de muitos vimaranenses. Foi em Junho. Passaram cinco meses. E a questão central não estava ainda respondida.

Não está tudo bem precisamente porque aquele prédio, naquele lugar, com aquela altura, cria uma cicatriz na paisagem urbana. Interrompe um alinhamento que a cidade preservou, reforço e ao qual se habituou. Foi sempre essa a questão. No texto que escrevi anteriormente no Reflexo falo num “lamentável erro urbanístico e político”.

A discussão foi sempre sobre responsabilidades políticas. É essa a questão há cinco meses. E sobre elas o presidente da câmara de Guimarães não se quis pronunciar, a avaliar pelo que leio da Assembleia Municipal, tendo-se escudado em considerações sobre a legalidade do processo de licenciamento.

Consultei o processo de licenciamento do “monstro” da Costa e escrevi publicamente sobre o assunto para sublinhar as responsabilidades políticas da câmara de Guimarães. O processo teve várias incongruências, várias pontas soltas. O que significa que, em vários momentos, a câmara de Guimarães podia ter impedido aquela construção, com argumentos jurídicos suficientemente fortes. Foi o que fez, por exemplo, no caso da empresa Ecoibéria, cuja concretização foi travada tendo por base uma nuance do processo de legalização.

Ou seja, o que o processo do “monstro” da Costa demonstra – e a reacção do presidente da câmara comprova – é que, por mais antigo que seja o processo de loteamento (e este é de 2004), o ónus político daquela construção pesa todo sobre Domingos Bragança e esta maioria.

Era esse o meu ponto, desde o início. No fundo o que queria era saber como responder quando a próxima geração, ao olhar para uma fotografia da rua Dr. José Sampaio no início do século XX, comparando-a com o que vai encontrar no local, perguntar: “Quem permitiu esta bodega?”. Foram estes senhores, filho!