Abaixo de Braga
Quinta-feira, Abril 6, 2017

Hoje apetece-me ser sintético. São quatro factos e quatro questões.

24 de Junho de 1995. Em pleno S. João, a festa principal da cidade, Francisco Mesquita Machado, presidente da Câmara Municipal de Braga, eleito pelo PS, inaugura o parque de estacionamento subterrâneo da Avenida Central, o primeiro de um conjunto de infra-estruturas deste tipo a ser construído na cidade nos 10 anos seguintes. Na mesma ocasião, Braga começa o processo de pedonalização progressiva do centro histórico da cidade, que estaria terminado no ano 2000. O objectivo então anunciado com a criação do parque de estacionamento subterrâneo e a pedonalização de ruas e praças é transformar a cidade no maior centro comercial a céu aberto, revitalizando o comércio, ao mesmo tempo que se ajuda a fixar população no centro histórico.

27 de Março de 2017. Em período de pré-campanha para as eleições autárquicas, André Coelho Lima, candidato a presidente da Câmara Municipal de Guimarães, pela coligação PSD-CDS-MPT-PPM, anuncia a intenção de criar dois parques de estacionamento subterrâneos no centro da cidade, um no largo do Toural e outro no largo República do Brasil. O objectivo anunciado com a criação dos dois parques de estacionamento subterrâneo e a pedonalização de ruas e praças é revitalizar o comércio e ajudar fixar população no centro histórico.

Quinta-feira, 30 de Março de 2017, 21h30, rua do Souto, Braga. Descendo a principal artéria do centro histórico de Braga, poucas são as pessoas com quem me cruzo. Na sua esplanada mais concorrida, há apenas duas mesas ocupadas. Olhando à volta, não se vêm pessoas nas varandas ou janelas. Sei-o de antemão, nos 500 metros daquela artéria, vivem três ou quatro famílias.

Quinta-feira, 30 de Março de 2017, 22h30, praça de S. Tiago, Guimarães. Esta que é uma das praças centrais do centro histórico de Guimarães está preenchida, apesar das condições climáticas pouco convidativo. Há pessoas em todas as esplanadas. Na rua da Rainha ou no largo da Misericórdia, ali perto, há pessoas a pé, em caminhadas ou a caminho de algum lugar. Olhando à volta, há gente em varandas ou janelas. Sei-o de antemão, ali vive gente. De todas as idades.

1 – Como pode uma ideia testada há 22 anos numa cidade vizinha ser apresentada como um projecto “de futuro” para Guimarães?

2 – O facto de a ideia ter acelerado a desertificação do centro histórico de Braga, fazendo dele uma fantasmagoria quando comparado com o de Guimarães, não é suficiente para provar o fracasso desta opção política?

3 – Em que estudos/dados concretos se baseia a coligação PSD-CDS-MPT-PPM para apresentar a proposta que veio a público no final do mês passado?

4 – Quanto custa e quem financia o investimento agora anunciado?